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Futebol feminino no Brasil: O risco de vivermos apenas de regulamentos, e não de garantias.

Por Suleima Sena | Donas FC

Encerramos 2025 com um alerta que não podemos ignorar. Mais uma vez, assistimos a um projeto de futebol feminino , com resultados esportivos sólidos e entrega comprovada ser interrompido por uma canetada administrativa.

Não se enganem: isso não é um fato isolado. É o sintoma de uma doença estrutural que ainda negligenciamos. Quando um projeto acaba do dia para o noite, não perdemos apenas pontos na tabela; perdemos capital humano, credibilidade de mercado e o futuro de profissionais que dedicaram suas vidas à modalidade.

A fragilidade do “Obrigatório” vs. o “Sustentável”

Precisamos encarar a realidade: no Brasil, o futebol feminino ainda respira por aparelhos chamados regulamentos. Ele existe, em grande parte, porque a Conmebol ou a CBF exigem.

O problema? Regulamentos são diretrizes esportivas, sujeitas a mudanças de gestão e interpretações sazonais. Leis e Governança, por outro lado, criam previsibilidade.

Enquanto a modalidade for tratada como uma “cláusula de barreira” para que o masculino jogue a Libertadores, estaremos sempre a um passo do retrocesso. A fragilidade de um projeto que se encerra sem ferir nenhuma lei específica revela que o nosso ecossistema ainda é um castelo de cartas.

O Paradoxo da Ascensão

É irônico. Vivemos o melhor momento da história da modalidade:

Audiências recordes em finais nacionais.

Marcas globais investindo pesado no fomento.

A proximidade de uma Copa do Mundo no Brasil, o maior catalisador que poderíamos ter.

Mesmo assim, projetos ainda são tratados como “custo descartável” em reuniões de diretoria. Isso nos obriga a uma pergunta desconfortável: Estamos construindo um legado ou apenas cumprindo tabela para o marketing?

Futebol Feminino é Business (com lógica própria)

O mercado precisa entender que o futebol feminino não é o “irmão mais novo” do masculino. Ele é o mesmo esporte, mas é um produto com identidade e métricas de sucesso distintas.

Não se gere o feminino com as sobras do masculino. Para haver sustentabilidade, é inegociável ter:

1. Gestão Especializada: Profissionais que entendam a jornada da atleta e do torcedor.

2. Orçamento Blindado: O recurso do feminino deve ser carimbado, protegido de oscilações de outras áreas.

3. Visão de Longo Prazo: Parar um projeto no meio é queimar dinheiro e destruir o valor da marca perante patrocinadores.

O Cuidado como Estratégia

Quando um clube encerra um departamento feminino, a mensagem enviada ao mercado é de instabilidade. Patrocinadores sérios fogem da incerteza. Atletas de alto nível buscam mercados que ofereçam o básico: continuidade.

Precisamos transitar do “futebol por obrigação” para o “futebol por convicção”. A continuidade não é um favor que os clubes fazem às mulheres; é a única forma de transformar potencial em lucro e impacto social.

O futebol feminino brasileiro é gigante. Mas ele precisa parar de depender de vontades individuais para se tornar uma política de estado dentro das instituições.

O que você pensa sobre isso?

Como podemos pressionar por mecanismos que garantam a continuidade dos projetos para além dos mandatos de diretoria? Vamos debater nos comentários.

 

Foto@eujmoura 📸 Fortaleza

 

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