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Renée Slegers projeta final entre Arsenal e Corinthians na Copa das Campeãs da FIFA 2026

Renée Slegers, do Arsenal

Técnica do Arsenal destaca equilíbrio, elogia disciplina do Corinthians e aponta preparação detalhada para decisão no Emirates Stadium.

A final da Copa das Campeãs da FIFA 2026 colocará frente a frente duas potências do futebol feminino mundial, sendo o Arsenal, campeão da UEFA Women’s Champions League, e Corinthians, atual vencedor da Libertadores Feminina. Às vésperas da decisão, a treinadora do clube inglês, Renée Slegers, falou sobre o confronto inédito, destacou o respeito ao adversário brasileiro e reforçou o discurso de equilíbrio, foco e preparação minuciosa para a partida.

Segundo a treinadora, disputar uma final intercontinental representa um marco esportivo, mas também exige responsabilidade e desempenho consistente para justificar a presença na decisão.

“É muito especial disputar uma competição enfrentando campeãs de outros continentes. Tivemos que conquistar o direito de estar nessa final, e fizemos isso de forma brilhante”, afirmou Slegers.

ANÁLISE E ELOGIOS

Ao comentar o desafio diante do Corinthians, Renée Slegers destacou a qualidade defensiva apresentada pelas brasileiras na semifinal, quando garantiram a vaga na final com uma atuação marcada por organização e eficiência. Para a técnica, a preparação do Arsenal passa por estudo detalhado do adversário e controle emocional diante de um duelo decisivo entre campeões continentais.

“O Corinthians defendeu muito bem contra o Gotham, com disciplina, intensidade e qualidade para marcar. É uma equipe muito forte”, declarou.

Corinthians e Gotham FC na semifinal
Corinthians e Gotham FC na semifinal da Copa das Campeãs / Foto: Rodrigo Gazzanel / Corinthians

Em resposta a uma pergunta sobre o duelo e sobre o contexto global do futebol feminino, a treinadora detalhou a leitura tática do adversário e reforçou o objetivo de impor o modelo de jogo do clube inglês

“Há fisicalidade, jogo de retenção, jogo de combinação, jogadoras com drible e velocidade. Então, há muitas formas de elas levarem perigo ofensivo. Acho que a principal arma do Corinthians é a disciplina coletiva na defesa. O que nós queremos é impor o nosso jogo, o jeito Arsenal de jogar, e medir o Arsenal contra o Corinthians, da América do Sul para o Reino Unido.”

MOMENTO DO ARSENAL

O Arsenal chega à final em um momento positivo, com elenco praticamente completo e confiança elevada após a goleada por 6 a 0 sobre o As Far na semifinal. O resultado refletiu a consistência da equipe ao longo da competição. A principal novidade para a decisão é o retorno de Chloe Kelly, que voltou a ficar disponível após período de recuperação.

“Ela trabalhou muito para estar de volta, está faminta e joga com muita vontade”, destacou Slegers, que também citou a evolução de Leah Williamson, em fase final de preparação antes da decisão.

Chloe Kelly e Leah Williamson
Chloe Kelly e Leah Williamson, do Arsenal / Foto: Arsenal W.F.C

Mesmo com a expectativa de disputar a final no Emirates Stadium, o discurso interno segue pautado pelo equilíbrio. A comissão técnica reconhece o peso histórico do momento, mas reforça que a vaga na decisão foi conquistada com mérito e desempenho coletivo. A avaliação é de que o bom momento não altera a abordagem adotada ao longo da campanha.

“Houve muito desejo, muita entrega e crença. Marcamos gols de diferentes formas e com diferentes jogadoras. O time está em um bom momento, mas não podemos ser complacentes; o Corinthians é um time muito forte”, completou a treinadora.

LONGEVIDADE E ALTO NÍVEL

Renée também foi questionada sobre a intensidade do futebol brasileiro e possíveis estereótipos em relação aos estilos de jogo e Slegers adotou um discurso alinhado à evolução global da modalidade. A técnica avaliou que o futebol feminino vive um momento de aproximação entre níveis competitivos e conceitos táticos, independentemente do continente.

“Hoje vemos tendências globais, não mais estilos isolados. O nível é alto em todos os lugares”, afirmou.

A treinadora também comentou sobre a longevidade de atletas que seguem decisivas em alto nível, como Gabi Zanotti, do Corinthians, e Kim Little, capitã do Arsenal. Para Slegers, o aspecto mental exerce papel central na manutenção do rendimento ao longo dos anos.

“É incrível. Eu realmente admiro isso. Gostaria de ter conseguido jogar por tanto tempo, mas infelizmente o meu corpo não permitiu. A longevidade em alto nível depende de muitas coisas, claro, mas acima de tudo é uma questão mental. Se eu comparar com a Kim Little no nosso time hoje, ela faz tudo. É uma jogadora completa.”

Gabi Zanotti do Corinthians
Gabi Zanotti vai ao seu oitavo ano jogando pelo Corinthians / Foto: Conmebol

Jogadoras como Gabi Zanotti e Kim Little representam o mais alto nível de resiliência no futebol feminino. Atuar em elite por tantos anos envolve leitura de jogo, cuidado constante com o corpo, capacidade de adaptação tática e manutenção da competitividade. Essa combinação permite que atletas com carreiras longas sigam competindo, e decidindo, em momentos-chave, além de inspirar gerações mais jovens e ampliar os limites da longevidade no esporte.

LIDERANÇA FEMININA

Renée Slegers foi questionada pela equipe do Donas FC sobre o novo programa global lançado pela FIFA em parceria com a The Football Association, voltado à formação de treinadoras de elite no futebol feminino. A iniciativa faz parte do legado da Copa das Campeãs da FIFA 2026 e tem como foco ampliar o acesso de mulheres às licenças técnicas mais avançadas e criar caminhos sustentáveis para o desenvolvimento profissional.

O projeto combina apoio financeiro para obtenção das licenças UEFA A e Pro com um modelo de acompanhamento individualizado, que inclui mentorias, suporte técnico contínuo e experiências em ambientes de alto rendimento. A proposta busca reduzir barreiras históricas enfrentadas por mulheres na carreira de treinadora e acelerar a presença feminina em cargos técnicos de alto nível.

Ao comentar o tema, Slegers destacou a importância de iniciativas estruturadas e do papel das treinadoras como referências dentro do futebol.

“Eu fiz parte de um programa de mentoria da UEFA aqui na Europa e acho isso muito importante, além de ficar feliz em ver que a UEFA também está investindo. Para mim, o mais importante é que existam referências. Sou muito apaixonada pelo meu trabalho e amo o que faço, mas também tenho plena consciência da responsabilidade que tenho em abrir caminhos para a próxima geração. Tudo o que pudermos fazer para tornar isso possível está ligado ao que acabamos de falar: quebrar normas, abrir oportunidades para todos. O futebol é para todos. Treinar é para todos. Tudo está conectado. Por isso, é muito positivo ver tantos programas incentivando as mulheres a estarem no futebol.”

EXPECTATIVAS PARA A GRANDE FINAL

A decisão da Copa das Campeãs da FIFA 2026 acontece no domingo, dia 1 de fevereiro, às 15h (horário de Brasília), no Emirates Stadium, em Londres. A expectativa é de casa cheia, com forte presença das duas torcidas e ampla repercussão internacional.

A transmissão ao vivo será realizada no YouTube pela Cazé TV. Enquanto isso, o Donas FC acompanhará a final com cobertura e conteúdos especiais diretamente da Inglaterra. Para Arsenal e Corinthians, a decisão representa não apenas a busca por um título inédito, mas também um marco no crescimento e na visibilidade global do futebol feminino.

Foto: Alex Burstow/Arsenal FC via Getty Images

Isadora Leocardio

Jornalista e repórter no DONAS FC. Acompanho e produzo conteúdos sobre futebol feminino com foco em análise, cobertura de jogos e histórias inspiradoras das atletas. Apaixonada pelo esporte, contribuo para o crescimento e a visibilidade do futebol feminino no Brasil e no mundo.

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