Técnico analisa campanha, comenta reforços e aponta desafios contra o Arsenal na decisão em Londres.
O treinador do Corinthians, Lucas Piccinato, projetou a final da Copa das Campeãs da FIFA 2026 com um discurso pautado em equilíbrio, preparação e respeito ao adversário. Dois dias antes da decisão contra o Arsenal, marcada para este domingo (1º), no Emirates Stadium, em Londres, o comandante das Brabas analisou o momento da equipe, comentou a adaptação tática ao longo da competição e reforçou o mérito da campanha que levou o clube brasileiro à decisão internacional.
Em entrevista coletiva, Piccinato destacou o peso do confronto e a dimensão histórica da partida para o elenco. Mesmo com jogadoras experientes, acostumadas a grandes decisões, o treinador ressaltou a singularidade do momento.
“Nossas jogadoras já tiveram o privilégio de jogar na final olímpica, de estar em um desses jogos pela Seleção Brasileira, mas mesmo assim, toda vez que eu servi em um momento como esse, a gente tem que aproveitar muito, porque são momentos muito raros para nós no futebol”, afirmou.
Segundo ele, a final reúne pressão e oportunidade na mesma medida, fruto de um trabalho construído ao longo do tempo.
O técnico também chamou atenção para o ambiente da decisão, disputada fora de casa, diante de um adversário europeu de alto nível. Piccinato reconheceu o contexto desfavorável em termos de atmosfera, mas destacou a valorização do momento vivido pelo grupo.
“Jogando no estádio do Arsenal contra o Arsenal, eu acho que não é para perder qualquer grupo, qualquer momento. Acho que a gente valoriza muito esse momento que a gente está vivendo e a gente sabe que, com certeza, vai estar um pouco mais contra a gente, por mais que eu acredite que a Fiel vai vir e vai fazer a festa que ela geralmente faz, como fez no outro jogo.”, disse, ao mencionar também a expectativa de presença da torcida corintiana nas arquibancadas.
LEITURA DO CONFRONTO
Ao analisar o desempenho do Corinthians na semifinal contra o Gotham FC, vencida por 1 a 0, Piccinato explicou que a equipe precisou se adaptar a diferentes formas de controlar a partida. Segundo o treinador, a preparação para a competição incluiu a compreensão de que o domínio do jogo nem sempre passa pela posse de bola.
“Acho que a principal diferença quando a gente se preparou para essa competição foi colocar na cabeça do grupo que existem várias maneiras de a gente controlar uma partida de futebol”, explicou.
Contra o time norte-americano, o Corinthians adotou uma postura mais reativa, priorizando a organização defensiva e as transições. “Então a gente propôs nessa primeira partida fazer uma atitude de controlar a partida no aspecto defensivo”, afirmou Piccinato, ao ressaltar que o plano foi executado conforme o esperado. Para o treinador, limitar as ações ofensivas do adversário e proteger a área foram pontos centrais da estratégia.
Na avaliação sobre o Arsenal, Piccinato apontou semelhanças e diferenças em relação ao Gotham. O técnico destacou que a equipe inglesa também valoriza a posse de bola, mas apresenta maior consistência ao longo da partida.
“A grande diferença do Arsenal para o Gotham é que o Arsenal costuma errar menos”, analisou.

MOMENTO DO CORINTHIANS E REFORÇOS
Piccinato também comentou o momento do Corinthians na competição e a utilização do elenco ao longo da campanha. O treinador elogiou a estreia das reforços Ana Vitória e Belén Aquino na semifinal e ressaltou a adaptação das atletas ao modelo de jogo.
“Olha, todas as nossas contratações são atletas que chegam com potencial para jogar”, disse. Sobre a atuação das duas jogadoras, completou: “Fizeram uma atuação concentrada, muito dentro do plano que a gente imaginava”.
Apesar dos elogios, o técnico evitou antecipar a escalação para a final e reforçou a confiança no grupo inscrito na competição. “Neste momento, fico feliz em ter as 26 atletas à disposição. Vamos colocar em campo quem entendermos ser as melhores opções para essa partida”, afirmou, ao indicar que a escolha levará em conta o plano de jogo definido para o confronto de domingo.
DECISÃO
Para Piccinato, a presença do Corinthians na final é resultado de um processo construído em etapas, desde as conquistas nacionais até o cenário internacional.
“A gente foi subindo degrauzinho por degrauzinho”, destacou, ao lembrar que o clube chegou à Copa das Campeãs após títulos anteriores.
O treinador classificou a decisão como a mais importante da história do futebol feminino do Corinthians. “Acho que sim, que esse jogo é o jogo mais importante da nossa história, acho que um jogo de caráter mundial como esse não tem como não ser o nosso jogo mais importante.”, afirmou.
Corinthians e Arsenal se enfrentam às 15h (horário de Brasília) deste domingo, 1º de fevereiro, no Emirates Stadium. O time brasileiro garantiu vaga na final ao vencer o Gotham FC por 1 a 0, enquanto as inglesas chegaram à decisão após golearem o AS FAR, do Marrocos, por 6 a 0. Diante de mais uma decisão internacional, o discurso alvinegro reforça foco, disciplina coletiva e respeito ao adversário, em busca de um desempenho consistente em um palco histórico do futebol mundial.
Foto: Harriet Lander / FIFA/FIFA via Getty Images




