O futebol sul-americano não pede mais licença; ele ocupa o espaço.
O saldo das Brabas no Mundial Feminino vai muito além do placar final. Quando ampliamos o olhar para o contexto, o desempenho e o posicionamento de marca, o que testemunhamos em Londres foi uma aula de competitividade dentro e fora das quatro linhas.
O Benchmark como Desafio
Enfrentar o Arsenal Women no Emirates Stadium é medir forças com o topo da pirâmide: o atual campeão europeu, detentor da maior receita global da categoria e com médias de público superiores a 30 mil torcedores. Para muitos analistas, o roteiro era previsível: uma final protocolar entre Europa e Estados Unidos, com o Corinthians em papel secundário. Só esqueceram de avisar as Brabas.
Lições de Gestão Esportiva: O Case Corinthians
A campanha corintiana oferece aprendizados valiosos para executivos e entusiastas da gestão esportiva. Destaco três pilares fundamentais:
1. Identidade acima das circunstâncias
Chuva, frio, estádio hostil e pressão externa. Nada disso alterou o DNA da equipe. O Corinthians não entrou em campo para “sobreviver” ou apenas evitar uma goleada; jogou para propor o jogo.
A lição: Clubes consistentes não negociam sua identidade conforme o ambiente. Eles sustentam seus valores e modelo de jogo mesmo nos cenários mais adversos. Isso é clareza de propósito.
2. Competitividade não se compra apenas com orçamento
Ao eliminar o Gotham FC e levar o Arsenal à prorrogação, o Corinthians rompeu o duopólio transatlântico que domina o imaginário do futebol feminino. O desempenho prova que a alta performance não é reflexo direto e exclusivo da folha salarial. Ela nasce de uma cultura vencedora, tomada de decisão qualificada e processos executados com excelência técnica.
3. Reputação como Ativo Estratégico
O troféu pode ter ficado em Londres, mas o capital simbólico do clube mudou de patamar. No esporte, assim como nos negócios, a percepção de valor é construída na entrega sob pressão.
Ganho de Valor: Respeito global e validação da marca.
Impacto Financeiro: Atração de novos parceiros e fortalecimento institucional para negociações futuras.
Um Novo Fato para o Futebol Global
O imaginário europeu agora precisa lidar com uma realidade incontornável: o futebol sul-americano não compete apenas com “raça” ou entrega emocional. Ele compete com estratégia, organização e repertório técnico.
Saldo positivo não se resume a taças na galeria. É visibilidade internacional e a certeza de que o mundo agora sabe, de fato, do que o Corinthians é capaz.
O futebol feminino mudou. E as Brabas não estão apenas acompanhando essa mudança: elas são as protagonistas da nova era.
Foto: FIFA / Getty Images




