DonasFC

Jogador do Red Bull Bragantino é multado após ataque à árbitra Daiane Muniz no Paulista Masculino

Árbitra Daiane Muniz

Gustavo Marques é punido pelo clube após declarações contra a árbitra Daiane Muniz; caso será analisado pelo TJD da Federação Paulista de Futebol e reacende debate sobre respeito à arbitragem no futebol brasileiro.

O zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, foi punido pelo próprio clube após declarações consideradas machistas contra a árbitra Daiane Muniz, eleita melhor árbitra no Paulistão Feminino 2025, feitas depois da eliminação da equipe diante do São Paulo no Campeonato Paulista Masculino de 2026. A diretoria anunciou multa de 50% dos vencimentos do atleta e o afastamento do próximo compromisso da equipe pelo Campeonato Brasileiro.

O episódio ocorreu após a partida decisiva do estadual. Inconformado com o resultado, o jogador concedeu entrevista na qual questionou a atuação da árbitra com declarações que foram classificadas como machistas. A fala gerou repercussão nacional imediata e mobilizou manifestações do clube e da Federação Paulista de Futebol (FPF).

Daiane Muniz foi eleita melhor árbitra do Paulistão Feminino 2025
Daiane Muniz foi eleita melhor árbitra do Paulistão Feminino 2025 / Foto: Rebeca Reis/Ag. Paulistão

Em nota oficial, o Bragantino confirmou a penalidade financeira e esportiva aplicada ao atleta. O clube informou que o valor da multa será destinado à ONG Rendar, organização que atua no atendimento a mulheres em situação de vulnerabilidade na região de Bragança Paulista. Além disso, Gustavo Marques não será relacionado para a partida contra o Athletico Paranaense, próximo confronto do Massa Bruta no Campeonato Brasileiro Masculino.

A NOTA DO CLUBE

“O Red Bull Bragantino informa que o zagueiro Gustavo Marques receberá uma multa de 50% do total de seus vencimentos em consequência das declarações machistas feitas contra a árbitra Daiane Muniz, após a partida contra o São Paulo. Ele também não será relacionado para o jogo contra o Athletico-PR, na quarta-feira.

O valor da multa será destinado para a ONG Rendar, que cuida de mulheres em situação de vulnerabilidade na região bragantina.

O Red Bull Bragantino mantém conversas com a própria ONG e com outras instituições de Bragança Paulista para que medidas sociais e educativas, que já acontecem ao longo do ano, sejam intensificadas e propagadas dentro do clube e em nossa sociedade.

A ONG Rendar, citada pelo clube, desenvolve ações voltadas ao acolhimento e apoio de mulheres em situação de vulnerabilidade social, oferecendo assistência e promovendo iniciativas de fortalecimento e autonomia. A destinação da multa à entidade foi apresentada como parte de um conjunto de medidas educativas.

Logo após a repercussão negativa, Gustavo Marques se pronunciou publicamente, ainda na zona mista, e afirmou ter se desculpado com a árbitra ainda no estádio. Na declaração, o jogador reconheceu o erro e pediu perdão às mulheres pela fala. Segundo ele, o momento de nervosismo após a eliminação influenciou suas palavras.

MANIFESTAÇÃO DA FPF

A FPF também divulgou posicionamento oficial repudiando as declarações. Em comunicado oficial, a entidade classificou a fala como incompatível com os valores do futebol e informou que encaminhará o caso ao Tribunal de Justiça Desportiva (TJD), responsável por analisar possíveis infrações disciplinares e aplicar sanções previstas no Código Brasileiro de Justiça Desportiva.

No texto, a federação destacou que conta com 36 árbitras e assistentes em seu quadro e reafirmou apoio a Daiane Muniz, descrita como árbitra FPF/CBF/FIFA de alta qualidade técnica. A entidade ressaltou que o futebol deve ser um ambiente seguro e justo para mulheres que atuam ou desejam atuar na modalidade.

Com o encaminhamento ao TJD, o caso pode gerar desdobramentos além das punições internas já aplicadas pelo clube. A Justiça Desportiva poderá avaliar se as declarações configuram infração disciplinar, o que pode resultar em advertência, multa adicional ou suspensão por partidas oficiais, conforme entendimento do tribunal.

O QUE PENSAR SOBRE O CASO?

O episódio também reacende o debate sobre protocolos de proteção à arbitragem no futebol brasileiro. Nos últimos anos, federações e a própria Confederação Brasileira de Futebol têm reforçado campanhas institucionais voltadas ao respeito aos profissionais de arbitragem, especialmente mulheres, diante do crescimento da participação feminina em competições femininas e masculinas.

Casos de ofensas a árbitras têm provocado discussões sobre a necessidade de medidas educativas permanentes dentro dos clubes. A adoção de multas, afastamentos e encaminhamentos à Justiça Desportiva tem sido parte das respostas institucionais para coibir comportamentos discriminatórios.

No desfecho do episódio, as punições e os comunicados oficiais ocuparam o centro, mas o ambiente criado após a partida acabou deslocando para além do resultado em campo. A arbitragem, que deveria ser analisada sob critérios técnicos, passou a ser discutida a partir de um viés que extrapola o jogo. Nesse contexto, a figura de Daiane Muniz se manteve no foco das atenções, não por uma decisão específica em campo, mas pela repercussão das declarações feitas contra ela .

Foto: Franklin Jacome/Agencia Press South/Getty Images

Isadora Leocardio

Jornalista e repórter no DONAS FC. Acompanho e produzo conteúdos sobre futebol feminino com foco em análise, cobertura de jogos e histórias inspiradoras das atletas. Apaixonada pelo esporte, contribuo para o crescimento e a visibilidade do futebol feminino no Brasil e no mundo.

View All Posts

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *