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Projeto de Lei quer Profissionalizar o Futebol Feminino e Deixar Legado para a Copa de 2027

Proposta do Executivo em análise na Câmara prioriza a modalidade nas políticas públicas, garante direitos de maternidade e impõe limites para atletas amadoras em grandes clubes.

O Brasil quer chegar à Copa do Mundo Feminina de 2027 não apenas com uma seleção competitiva em campo, mas com uma estrutura profissional sólida fora dele. O Poder Executivo enviou à Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 4578/25, que estabelece diretrizes inéditas para fortalecer a modalidade no país.

A proposta reconhece o futebol feminino como prioridade estratégica, combatendo a desigualdade histórica em relação ao masculino e criando regras rigorosas para a profissionalização de atletas e competições.

O Legado de 2027: Mais que um Torneio

Para o ministro do Esporte, André Fufuca, a realização da Copa em solo brasileiro deve ser o motor de uma transformação estrutural. Segundo a justificativa do projeto, o objetivo é que o legado do mundial seja focado na “inserção e da profissionalização da mulher no futebol”.

Os pilares da nova proposta

  • Prioridade Pública: O futebol feminino passa a ser foco central de políticas de investimento estatal.

  • Garantias de Direitos: Proteção explícita à gravidez e à maternidade, assegurando que a carreira da atleta não seja interrompida por falta de amparo legal.

  • Combate à Violência: Implementação de protocolos rígidos contra a discriminação e intolerância em estádios e centros de treinamento.

  • Equidade de Base: Garantia de que atletas em formação tenham acesso à mesma infraestrutura (equipamentos e equipes de apoio) oferecida aos homens.

Fim do Amadorismo “Disfarçado”

Um dos pontos mais transformadores do PL é a imposição de limites para o uso de atletas não profissionais em competições oficiais. A medida visa forçar os clubes a assinarem contratos de trabalho formais, garantindo direitos previdenciários e trabalhistas às jogadoras.

O texto prevê uma redução gradual desses limites até que a profissionalização seja total. Confira as metas iniciais:

Competição Limite de Atletas Amadoras
Principal Divisão Nacional Máximo de 4 atletas
Demais Divisões (Nacionais e Estaduais) Máximo de 6 atletas
Outras Competições Profissionais Máximo de 8 atletas

Visibilidade e Experiência nos Estádios

O projeto também mira a valorização comercial e a experiência do público. O texto estabelece que as partidas sejam realizadas, preferencialmente, em estádios que permitam a presença de torcida, respeitando padrões mínimos de qualidade. A ideia é evitar que grandes jogos fiquem restritos a centros de treinamento sem infraestrutura para o espectador, aumentando o potencial de patrocínio e engajamento.

Mudanças na Lei Geral do Esporte

O PL 4578/25 também propõe alterações na Lei Geral do Esporte para aumentar a fiscalização sobre os clubes formadores:

  1. Segurança: Envio anual obrigatório de laudos dos alojamentos ao Ministério Público.

  2. Educação: Programas obrigatórios sobre educação sexual e igualdade de gênero.

  3. Cidadania: Garantia de acesso a atividades culturais e de lazer para jovens atletas.

Próximos Passos

O projeto tramita em caráter conclusivo, rito que acelera o processo por dispensar a votação em plenário, caso seja aprovado pelas comissões temáticas. Atualmente, a proposta aguarda a criação de uma comissão especial antes de seguir para análise no Senado Federal.

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