O futebol feminino global acaba de romper uma barreira psicológica e financeira. Segundo o relatório Deloitte Football Money League 2026, os 15 maiores clubes do mundo faturaram mais de € 158 milhões na última temporada. No topo dessa lista não está apenas um time vitorioso, mas uma potência econômica: o Arsenal Women.
Com uma receita de € 25,6 milhões, o Arsenal superou gigantes como Chelsea e Barcelona. Mas o que os clubes brasileiros que vivem um momento de efervescência com a final da Supercopa Feminina batendo à porta podem aprender com os “Gunners”?
1. Escutar o torcedor não é opcional, é estratégia de dados
O sucesso do Arsenal não veio apenas de gols, mas de bit e bytes. O clube investiu pesado em inteligência de dados para entender quem é o seu público. Eles descobriram que o fã do feminino não é necessariamente o mesmo do masculino.
Para ir além, o Arsenal criou o “Matchday Forum”, um espaço de escuta ativa onde torcedores participam diretamente da criação da experiência no estádio. Eles discutem desde a playlist do pré-jogo até a logística de acesso e preços. O resultado? O Arsenal lidera o mundo em receita de bilheteria (€ 7 milhões), com médias de público superiores a 35 mil pessoas no Emirates Stadium.
2. A Supercopa no Brasil: Uma vitrine de oportunidade
No dia 7 de fevereiro, teremos a final da Supercopa Feminina entre Palmeiras e Corinthians. É o evento perfeito para testar o apetite do mercado brasileiro. No entanto, enquanto o Arsenal abre as portas do seu estádio principal para todos os jogos da liga, o Brasil ainda patina em questões básicas de logística e pertencimento.
3. O Desafio do Palmeiras e a “Barreira Geográfica”
O caso do Palmeiras Feminino é um exemplo claro de como a gestão de estádio pode ser um entrave ao crescimento. Com o Allianz Parque em manutenção, a decisão da Supercopa foi levada para a Arena Barueri.
Aqui reside o problema: Barueri, embora seja uma arena moderna, representa um desafio logístico imenso para a torcida alviverde, especialmente para quem depende de transporte público ou vem da zona oeste de São Paulo.
O Arsenal aprendeu que conveniência gera receita. Se o torcedor não consegue chegar ou não se sente “em casa”, o consumo cai.
Levar um jogo desse tamanho para longe do ecossistema natural da torcida corre o risco de esvaziar um espetáculo que deveria ser histórico.
O que fica para os clubes brasileiros?
O relatório da Deloitte deixa um aviso: a receita comercial (72%) ainda é o motor, mas a receita de dia de jogo (matchday) é o que cria comunidade e fidelidade a longo prazo.
Os clubes brasileiros precisam parar de tratar o futebol feminino como um “custo obrigatório” e passar a tratá-lo como um produto de experiência.
- Aprendizado 1: Crie fóruns reais de escuta. O torcedor sabe o que quer consumir.
- Aprendizado 2: O estádio deve ser um destino, não um obstáculo. Acesso fácil é o primeiro passo para o lucro.
- Aprendizado 3: Use dados. Pare de “chutar” o que o torcedor quer e comece a medir.
O Arsenal provou que o futebol feminino pode ser a unidade de negócio mais inovadora de um clube. O Brasil tem o talento e a torcida; agora, precisamos da gestão que entenda que o lugar da mulher é no campo, e o lugar do torcedor é em um estádio acessível e vibrante.
Foto: Arsenal / Divulgação




