Mesmo após buscar o empate duas vezes, Corinthians perde para o Arsenal na prorrogação e encerra grande trajetória no primeiro Intercontinental de clubes feminino.
O Corinthians encerrou neste domingo (1) uma campanha histórica no primeiro Intercontinental Feminino de Clubes da FIFA. No Emirates Stadium, em Londres, as Brabas perderam por 3 a 2 para o Arsenal na final da Copa das Campeãs de 2026 e ficaram com o vice-campeonato mundial. A equipe brasileira buscou o empate em duas oportunidades no tempo normal, com gols de Gabi Zanotti e Vic Albuquerque, mas sofreu o gol decisivo na prorrogação.
A decisão marcou o confronto entre as campeãs da Libertadores e da Champions League. O Corinthians chegou ao Mundial após conquistar o principal torneio sul-americano, enquanto o Arsenal representou a Europa como atual campeão continental. Na semifinal, as alvinegras superaram o Gotham FC por 1 a 0. Já as inglesas avançaram à final após vitória por 6 a 0 sobre o ASFAR, do Marrocos.
Na avaliação do técnico Lucas Piccinato para o Donas FC, a trajetória corintiana na competição precisa ser analisada a partir do contexto enfrentado pela equipe.
“A gente entrou nessa competição com confiança, mas também com muita consciência do tamanho do desafio que teríamos pela frente. E, acima de tudo, com muito orgulho do que essa equipe fez dentro das condições que tinha. Enfrentamos o campeão europeu na casa delas, em plena metade de temporada, enquanto nós retomamos os trabalhos há apenas 18 treinos. E, ainda assim, competimos. Competimos de verdade.”, afirmou.

O treinador também destacou o desempenho coletivo como um dos principais pontos da campanha, apesar da frustração pelo título que não veio. “Não tem como não sair orgulhoso do que foi construído em campo. Ao mesmo tempo, existe a frustração de não conseguir concretizar um sonho, de não alcançar um desejo que era de toda a equipe e de toda a nação corintiana. Uma torcida que nos apoiou o tempo todo, que fez diferença e que esteve conosco até o último minuto.”
A final também ficou marcada pela forte presença da torcida corintiana em Londres. Piccinato ressaltou o papel da Fiel durante toda a decisão.
“É com esse sentimento que eu falo da frustração. Ela existe muito por causa do nosso torcedor, que nos apoia em todos os momentos. A chegada do ônibus hoje foi algo incrível. Ali a gente já conseguiu sentir um pouco do que seria o jogo. A Fiel não para de cantar um segundo, e não foi diferente hoje. Saímos três vezes atrás do placar e, em todas elas, a torcida cantou ainda mais alto. Empurrou, acreditou, esteve junto.”, elogiou.

NOVAS EXPERIÊNCIAS
Do ponto de vista esportivo, o treinador avaliou a experiência internacional como determinante para o crescimento do elenco.
“Voltar a jogar na Inglaterra, enfrentar escolas diferentes e nos testar nesse nível foi, sem dúvida, um momento muito mágico para todas nós. É algo que vamos levar para sempre. Jogar contra o campeão europeu dentro da casa delas, fazer um jogo duro, levar a decisão para a prorrogação e ainda criar as nossas oportunidades ao longo da partida mostra o quanto essa equipe competiu.”
Piccinato reconheceu o sentimento imediato de frustração, mas projetou uma leitura mais ampla do resultado com o passar do tempo. “Neste momento, a gente sente que ficou faltando o nome de um título que ainda não conquistamos. Mas eu tenho certeza de que, amanhã, revendo o jogo com mais calma, vamos enxergar o orgulho pelo que fizemos em campo.” “Agora existe frustração, é natural. Mas amanhã, tenho certeza de que todo o clube vai estar orgulhoso do que essa equipe construiu.”, completou.
PREMIAÇÃO
A final da Copa das Campeãs também entrou para a história pela premiação recorde no futebol feminino de clubes. O Arsenal recebeu 2,3 milhões de dólares pelo título, enquanto o Corinthians garantiu 1 milhão de dólares pela campanha até a decisão.
SUSPEITA DE ESPIONAGEM
Durante a preparação para a final, o Corinthians formalizou uma reclamação à FIFA sobre a presença de integrantes ligados a comissão técnica do Arsenal durante o treino da equipe brasileira no local cedido aos times em Londres. Piccinato explicou a situação e reforçou que o ponto central foi o cuidado com a preservação das atividades.
“É uma situação difícil de comentar. Nós fomos direcionados a treinar em um centro de treinamento onde também treinam as categorias de base do futebol feminino do Arsenal. Desde o primeiro momento, isso nos causou certa estranheza, porque iríamos enfrentar justamente essa equipe e a sua comissão técnica. O ponto central é o cuidado. Por isso, entendemos que poderia ter havido um cuidado maior por parte da FIFA, garantindo que o nosso centro de treinamento estivesse totalmente preservado.”
A entidade confirmou o recebimento da reclamação e informou que o caso segue em análise.
PRÓXIMO PASSO
Apesar da derrota na final, o Corinthians encerra o primeiro Mundial Feminino de Clubes como vice-campeão e com uma campanha que reforça sua posição entre as principais equipes do futebol feminino internacional. Agora, as Brabas voltam as atenções para o calendário nacional e disputam no próximo sábado, dia 7, a final da Supercopa do Brasil, contra o Palmeiras, na Arena Barueri.
Foto: Molly Darlington / Getty Images




