Crise financeira, salários atrasados e reestruturação do projeto levam clube catarinense a abrir mão da competição nacional em 2026.
O Avaí Kindermann anunciou a desistência de disputar a Série A2 do Campeonato Brasileiro Feminino, abrindo mão da vaga na competição nacional. A confirmação foi divulgada oficialmente pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que, conforme o regulamento, convidou o Ceará Sporting Club para ocupar o posto deixado pela equipe catarinense.
Maior clube de Santa Catarina no futebol feminino, o Avaí Kindermann tem histórico relevante na modalidade. A equipe é a maior campeã estadual, com 15 títulos em 16 edições do Campeonato Catarinense, além de duas campanhas de vice-campeonato no Brasileirão Feminino, em 2014 e 2020, e o título da Copa do Brasil de 2015. No cenário continental, participou duas vezes da Libertadores Feminina, alcançando as quartas de final em 2021.
A desistência ocorre após uma sequência de temporadas instáveis no cenário nacional. Em 2024, o Avaí Kindermann foi rebaixado pela primeira vez do Brasileirão Feminino, ao terminar a competição na 15ª colocação, na vice-lanterna. Já em 2025, disputando a Série A2, a equipe encerrou a fase de grupos na sétima posição do Grupo A, sem avançar às quartas de final.
Apesar de iniciar o planejamento para 2026 com a confirmação de participação em cinco competições, incluindo a Série A2 do Brasileiro, o clube optou por rever o projeto esportivo da equipe adulta feminina antes do início da temporada nacional.
CRISE INSTITUCIONAL
A decisão de abrir mão da Série A2 está diretamente ligada às dificuldades financeiras enfrentadas pelo clube nos últimos meses. Em 2025, o Avaí Kindermann viveu um período de instabilidade marcado por salários atrasados e problemas estruturais. Antes da final do Campeonato Catarinense daquele ano, as atletas chegaram a entrar em greve como forma de protesto, chamando atenção para a situação interna do projeto.

O cenário gerou desgaste institucional e levantou questionamentos sobre a sustentabilidade do futebol feminino no clube, mesmo diante da tradição construída ao longo de mais de uma década em competições nacionais e internacionais.
O Avaí Kindermann justificou internamente que aa decisão de não disputar a Série A2 do Campeonato Brasileiro Feminino destacou o momento financeiro vivido pela instituição. A nota do clube ao ge afirma:
“A decisão reflete as dificuldades financeiras enfrentadas pelo clube no momento para a manutenção do futebol feminino. Importante acrescentar que o projeto de futebol feminino prossegue e que o clube vai disputar os campeonatos financeiramente viáveis.”
COMUNICADO DA CBF
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) se manifestou oficialmente sobre a desistência e a redistribuição da vaga na Série A2. Em nota, a entidade confirmou o Ceará como substituto, seguindo os critérios estabelecidos em regulamento:
“O Avaí Kindermann comunicou oficialmente a sua desistência e a abertura de mão da vaga na Série A2 do Campeonato Brasileiro Feminino.
Diante disso, e em conformidade com o regulamento da competição, o Ceará Sporting Club passará a ocupar a vaga deixada pela equipe catarinense.
A CBF agradece ao Avaí Kindermann pela trajetória e contribuição ao desenvolvimento do futebol feminino nacional e deseja êxito ao Ceará Sporting Club na disputa da competição.”
O Ceará foi convidado por ter registrado a sétima melhor campanha geral da Série A3 em 2025 e aceitou o convite, retornando à segunda divisão do futebol feminino nacional em 2026.

CONSEQUÊNCIAS PARA O FUTEBOL FEMININO
A saída do Avaí Kindermann da Série A2 representa um impacto esportivo e simbólico para o futebol feminino brasileiro, especialmente em Santa Catarina, estado que perde seu principal representante em competições nacionais. Institucionalmente, a desistência evidencia os desafios financeiros enfrentados por clubes tradicionais da modalidade fora do eixo principal de investimentos.
Para a Série A2 de 2026, caso não haja novas alterações até o início da competição, marcado para 14 de março, o torneio contará com: Minas Brasília, Taubaté, Vasco, Ceará, Ação-MT, Itacoatiara, Paysandu, Rio Negro-RR, Sport, 3B da Amazônia, Itabirito, Vila Nova, Doce Mel, Atlético Piauiense, Pérolas Negras e UDA-AL.
Enquanto isso, o Avaí Kindermann segue em processo de reestruturação do futebol feminino, com retorno das atividades para Florianópolis e avaliação do futuro da equipe adulta, mantendo-se fora, até o momento, apenas da disputa do Campeonato Brasileiro Feminino Série A2.
Foto: João Normando




