País cria sua seleção feminina pela primeira vez, anuncia Giulia Domenichetti como técnica e enfrenta desafios estruturais para desenvolver a modalidade
A San Marino oficializou a criação de sua primeira seleção feminina de futebol, em um movimento inédito na história esportiva do país. A equipe será comandada por Giulia Domenichetti, ex-jogadora que assume o desafio de estruturar o projeto desde a base.
O lançamento marca uma nova etapa para o futebol local, que até então não contava com representação feminina em nível de seleção principal. A iniciativa surge em meio a um crescimento gradual da participação de mulheres no esporte dentro do território, que possui população reduzida, estimada entre 35 mil e 40 mil habitantes.
A nova treinadora destacou a necessidade de construir o trabalho a partir do conhecimento do grupo e das condições atuais do país. “Acho que, no início, será importante para mim conhecer bem as meninas também do ponto de vista pessoal, do caminho que têm até agora. Estamos apenas no início de um caminho que terá um grande número de estágios”, afirmou.
Domenichetti também ressaltou a importância de adaptar o projeto à realidade local. “Teremos que ter grande respeito por isso. Mas, como já disse a este grupo, todos nós trabalharemos para transformar as limitações de hoje em oportunidades.”

A criação da equipe ocorre após avanços graduais na participação feminina no futebol san-marinense, ainda que o país enfrente limitações estruturais. O presidente da federação local, Marco Tura, classificou o momento como um marco. “Este é um evento histórico. Estamos começando um caminho que em breve nos permitirá nos apresentar diante do futebol europeu em um setor que até agora nunca conseguimos desenvolver”, declarou.
Segundo o dirigente, o principal obstáculo para o desenvolvimento da modalidade sempre esteve ligado ao número reduzido de atletas. Com o aumento recente de praticantes, a federação decidiu avançar para a formação da seleção. Ainda assim, desafios permanecem. “Não nos escondemos: as dificuldades não desapareceram por magia”, afirmou Tura.
Entre os entraves apontados estão a limitação de infraestrutura esportiva e a necessidade de garantir continuidade ao projeto. O presidente destacou que a criação de uma liga feminina nacional será essencial para sustentar a seleção a longo prazo.
“Criá-la não será uma prática simples, mas há um forte compromisso político esportivo nesse sentido”, disse.
A equipe ainda está em fase inicial de formação, com etapas previstas de observação e desenvolvimento das atletas. Os primeiros compromissos oficiais devem ocorrer após a consolidação do grupo e adequação às exigências internacionais.
O surgimento da seleção feminina de San Marino acompanha um movimento mais amplo de expansão do futebol feminino em países com menor tradição na modalidade. A inclusão de novas seleções amplia a diversidade competitiva e fortalece o calendário internacional, além de abrir espaço para o desenvolvimento de atletas em contextos menos estruturados.
Mesmo diante das limitações, o projeto é tratado internamente como estratégico para o futuro do esporte no país. A proposta envolve não apenas a montagem de uma equipe competitiva, mas também a criação de uma base sustentável que permita a evolução do futebol feminino nos próximos anos.
Foto: Reprodução / UEFA




