Por Suleima Sena
O futebol feminino está escrevendo um novo capítulo. Pela primeira vez, jogadoras das duas principais divisões da Inglaterra terão salário mínimo garantido. Uma conquista que representa mais do que números, é sobre dignidade e o reconhecimento de que futebol é trabalho.
Um Marco Histórico para o Futebol Feminino
A Inglaterra acaba de dar um passo que pode inspirar o mundo. A partir desta temporada, jogadoras das duas principais divisões profissionais, a Women’s Super League (WSL) e a WSL 2 terão um salário mínimo obrigatório, estabelecido pela WSL Football, empresa que supervisiona as ligas femininas do país.
Embora o valor exato ainda não tenha sido divulgado, o piso é descrito como um “salário integral”, permitindo que as atletas se dediquem exclusivamente ao futebol. A expectativa é que os números sejam publicados junto aos regulamentos atualizados da temporada.
“Temos muitas jogadoras que precisavam conciliar o futebol com empregos de meio período. Garantir que todas possam viver do futebol é muito importante. Este é apenas o começo — uma estrutura sobre a qual poderemos evoluir,” afirmou Holly Murdoch, diretora de operações da WSL Football, à BBC Sport.
Os salários serão definidos com base em idade, experiência e categoria da liga, em consulta com a Associação de Jogadores Profissionais (PFA).
Profissionalização Dentro e Fora de Campo
Mais do que uma medida econômica, o novo modelo impõe padrões mais altos de estrutura, desempenho e bem-estar. Os clubes agora deverão oferecer ambientes de alto rendimento e contar com uma função de “bem-estar de desempenho” em tempo integral até o fim da temporada, uma iniciativa voltada à saúde física e mental das atletas.
Entre as novidades, destacam-se:
A Nike fornecerá chuteiras e luvas de goleiro para todas as jogadoras sem contrato de patrocínio.
A Kyniska Advocacy, organização liderada por atletas, atuará no desenvolvimento de novos padrões de proteção e criará um canal independente de suporte confidencial.
Essas parcerias simbolizam um novo nível de profissionalização, onde a performance e o cuidado caminham juntos.
Um Modelo que Inspira o Mundo
A temporada 2025–26 da WSL começa com o aguardado jogo entre Chelsea e Manchester City em Stamford Bridge, em um momento que reflete o auge do futebol feminino inglês. Após o bicampeonato europeu da seleção nacional, o país se consolida como referência em governança, equidade e sustentabilidade esportiva.
Mas, acima de tudo, o novo piso salarial representa um divisor de águas: é o reconhecimento de que o futebol feminino é um mercado em expansão, com impacto social, cultural e econômico.
A decisão da WSL Football é um lembrete poderoso: o futebol feminino não é só sobre jogar, é sobre viver do jogo.
O que você acha que esse passo da Inglaterra representa para o futuro do futebol feminino em outros países, como o Brasil?
Foto :aspafotos/MB Media/Getty Images




