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Fortaleza encerra sua equipe futebol feminino após temporada histórica e perde acesso recém conquistado ao Brasileirão A1

Clube cita restrições financeiras da SAF para justificar decisão, mesmo após acesso inédito ao Brasileirão Feminino A1 de 2026 e títulos em 2025.

O Fortaleza não dará continuidade ao projeto de futebol feminino a partir de 2026. Em comunicado interno divulgado aos colaboradores, o clube informou que a decisão foi tomada após análise do cenário financeiro atual da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), marcado por restrições orçamentárias, ausência de recursos específicos e impossibilidade de manter a modalidade dentro dos parâmetros exigidos pelas competições nacionais.

A decisão ocorre poucos meses depois de um dos períodos mais vitoriosos da história recente da equipe feminina. Em 2025, o Fortaleza conquistou, de forma inédita, o acesso ao Brasileirão Feminino A1, garantindo vaga na elite da modalidade para a temporada de 2026. Além disso, a equipe também levantou o troféu da primeira edição da Copa Maria Bonita e foi campeã do Campeonato Cearense Feminino, consolidando um ano de crescimento esportivo e afirmação regional.

De acordo com a nota oficial, a gestão afirmou ter buscado alternativas e soluções para garantir a continuidade do futebol feminino de forma sustentável. Ainda assim, concluiu que, neste momento, a descontinuidade das atividades seria necessária para preservar o equilíbrio financeiro e a sustentabilidade global do clube.

O Fortaleza reconheceu o peso da decisão, destacou a importância histórica da modalidade dentro da instituição e valorizou o empenho de atletas, comissão técnica e demais profissionais envolvidos no projeto. O clube também agradeceu publicamente a todos que fizeram parte da trajetória do futebol feminino tricolor, ressaltando o legado construído ao longo dos anos, e informou que haverá uma reunião específica com os colaboradores da modalidade para alinhamento e definição dos próximos passos dentro da estrutura do clube.

EXIGÊNCIA DA CBF E CONMEBOL

De acordo com as regras de licenciamento de clubes adotadas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e pela CONMEBOL, equipes que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro masculino são obrigadas a manter um projeto de futebol feminino ativo como critério institucional para participação nas competições.

Quando um clube tem vaga assegurada no Brasileirão Feminino A1 e opta por não disputar a competição, a consequência é a perda imediata dessa vaga, com rebaixamento administrativo no futebol feminino. Nesses casos, para retornar à elite, o clube precisa conquistar o acesso esportivamente a partir das divisões inferiores do campeonato.

O cenário não é inédito no futebol nordestino. O Ceará passou por situação semelhante após abrir mão do futebol feminino depois do rebaixamento do time masculino e, atualmente, disputa a Série A3 do Campeonato Brasileiro Feminino. O precedente reforça que a decisão do Fortaleza compromete não apenas a temporada de 2026, mas também o posicionamento do clube na modalidade a longo prazo.

NOTA OFICIAL DO FORTALEZA:

Prezados colaboradores,

Com responsabilidade, transparência e respeito a todos os profissionais envolvidos, comunicamos que o Fortaleza Esporte Clube SAF não dará continuidade ao projeto de futebol feminino no ano de 2026.

Ressaltamos que a gestão envidou todos os esforços possíveis para a manutenção da modalidade, buscando alternativas, soluções e caminhos que permitissem a continuidade do projeto de forma sustentável. No entanto, por determinação da SAF, diante do cenário atual de restrição orçamentária, da ausência de recursos específicos e da incapacidade financeira de manutenção da modalidade dentro dos parâmetros exigidos, definiu a descontinuidade das atividades.

Trata-se de uma decisão extremamente difícil, que reconhece a importância do futebol feminino, o empenho dos profissionais envolvidos e a história construída até aqui. Contudo, ela se faz necessária para garantir a responsabilidade financeira, o equilíbrio da operação e a sustentabilidade global do clube neste momento.

Agradecemos profundamente a todos que fizeram parte desse projeto — atletas, comissão técnica, colaboradores e staff — pela dedicação, profissionalismo e compromisso demonstrados ao longo do processo. O trabalho realizado deixa um legado importante e merece nosso respeito e reconhecimento.

Seguimos comprometidos com a transparência, o diálogo e o respeito às pessoas que constroem o Fortaleza diariamente, certos de que decisões difíceis também fazem parte de uma gestão responsável.

Aos colaboradores do futebol feminino em específico, teremos uma reunião de alinhamento para traçarmos o futuro dentro da estrutra.

Atenciosamente,
Fortaleza Esporte Clube SAF

O encerramento do futebol feminino do Fortaleza escancara a fragilidade estrutural da modalidade no país. Mesmo após um ano histórico,  o projeto é interrompido por decisões administrativas ligadas à crise do futebol masculino. O episódio reforça como o futebol feminino segue vulnerável, tratado como ajuste financeiro em momentos de instabilidade, e evidencia que conquistas esportivas ainda não garantem continuidade institucional. Em um cenário de crescimento de audiência e cobrança por profissionalização, o caso do Fortaleza expõe que o avanço da modalidade segue condicionado à vontade política dos clubes, e não a um compromisso estrutural de longo prazo.

Foto: João Moura / Fortaleza EC

Isadora Leocardio

Jornalista e repórter no DONAS FC. Acompanho e produzo conteúdos sobre futebol feminino com foco em análise, cobertura de jogos e histórias inspiradoras das atletas. Apaixonada pelo esporte, contribuo para o crescimento e a visibilidade do futebol feminino no Brasil e no mundo.

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