O futebol feminino não é mais apenas “o futuro do esporte”. Ele é o presente da diplomacia corporativa e geopolítica. Quando um país ou marca decide investir na modalidade, as regras do jogo mudam: não se trata apenas de infraestrutura ou estádios padrão FIFA. O futebol feminino tornou-se uma das ferramentas mais potentes de soft power do século XXI. Contudo, há uma armadilha: esse poder de influência não aceita apenas capital; ele exige coerência.
O valor como a nova moeda do esporte global
Megaeventos esportivos sempre foram vitrines de poder. No entanto, no futebol feminino, o poder simbólico é indissociável de pautas como autonomia, liderança e diversidade.
Sediar uma Copa do Mundo Feminina comunica a postura de uma nação perante os direitos humanos e a equidade. Se o discurso de palco não sobrevive ao escrutínio da realidade local, o investimento vira crise de reputação. O soft power funciona pela atração, nunca pela imposição.
Governança: O verdadeiro teste de estresse para o legado
O “legado” de um grande evento não pode ser uma palavra vazia de marketing. Ele precisa ser mensurável através de métricas de governança e perguntas estratégicas:
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Ecossistema: Existe desenvolvimento real da base local ou apenas um “pico” de atenção?
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Liderança: As mulheres ocupam o centro da tomada de decisão ou apenas a foto oficial?
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Transparência: Existem mecanismos de fomento e continuidade pós-evento?
Sem respostas claras, o evento é apenas um pop-up de luxo. Com governança, ele se torna uma transformação sistêmica.
A maturidade da audiência e o risco reputacional
O público do futebol feminino é um dos mais críticos do mercado. Eles não consomem apenas 90 minutos de jogo; consomem o propósito por trás da gestão. Ignorar que o esporte é uma ferramenta de transformação social é subestimar o “cliente final”.
No cenário atual, a visibilidade sem coerência gera questionamento, não admiração. Em um mundo hiperconectado, a falta de autenticidade é o maior risco de investimento que existe.
Foto : NWSL




