A FIFA lançou a marca da Copa do Mundo Feminina 2027 no Rio de Janeiro. Confira os detalhes do slogan ‘GO EPIC’ e entenda a polêmica sobre a falta de protagonismo das pioneiras do futebol feminino no evento.
O Rio de Janeiro deu, neste domingo, o pontapé inicial oficial para a Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027™. Em um evento vibrante nas areias de Copacabana, a entidade máxima do futebol revelou a identidade visual e o slogan da competição que será histórica: a primeira edição do Mundial Feminino realizada na América do Sul.
Contudo, nem mesmo o cenário icônico e a trilha sonora inspirada no samba foram suficientes para abafar uma polêmica crescente nos bastidores e nas redes sociais: a falta de protagonismo das mulheres na cerimônia de lançamento de sua própria Copa.
A identidade “GO EPIC” e o DNA brasileiro
A cerimônia marcou a apresentação da marca oficial do torneio. O emblema busca unir a geometria do campo de futebol às cores da bandeira nacional, com um design que funde as letras “W” (de Women e World) e “M” (de Mulheres e Mundo).
Acompanhando o visual, o slogan GO EPIC™ foi lançado como um convite global. Segundo o presidente da FIFA, Gianni Infantino, a marca reflete a alegria e a energia do país-sede.
O Brasil vive e respira futebol. É possível sentir que o país está totalmente comprometido em transformar este momento em um divisor de águas para o futebol feminino”, afirmou Infantino durante a apresentação.
O contraste: festa de uns, esquecimento de outras
Apesar da exaltação à cultura nacional — com um Festival de Arte Urbana na Avenida Atlântica e uma identidade sonora repleta de percussão afro-brasileira —, a composição do evento gerou forte insatisfação na comunidade do futebol feminino.
O destaque excessivo dado a ex-jogadores homens, campeões mundiais, foi o principal ponto de crítica. Enquanto astros do futebol masculino ocupavam o centro do palco, figuras lendárias que pavimentaram o caminho para o esporte no Brasil, como Sissi e outras pioneiras das décadas de 80 e 90, foram sentidas por sua ausência ou falta de destaque.
Para especialistas e torcedores, a escolha da FIFA e do Comitê Organizador reforça uma estrutura onde as mulheres acabam como coadjuvantes de sua própria história. O sentimento compartilhado por parte da audiência é de que o evento celebrou a “instituição futebol brasileiro” de forma genérica, perdendo a chance de honrar especificamente a luta e a resistência das mulheres que sofreram com a proibição da modalidade no país por décadas.

Marta e o legado para o futuro
Mesmo à distância, a “Rainha” Marta trouxe o tom emocional ao evento por meio de uma mensagem em vídeo. A atleta, que é o maior ícone global do esporte, reforçou o poder de inspiração do torneio.
“Nosso país está pronto para abraçar o futebol feminino com orgulho. Este torneio vai criar histórias inesquecíveis e novas heroínas, fazendo com que nosso amor pelo esporte cresça ainda mais”, destacou Marta.
A caminhada rumo a 2027 começou com cores vivas e promessas de grandeza, mas o lançamento deixa uma lição clara: para ser verdadeiramente “épica”, a Copa precisará, daqui até o apito inicial, garantir que o palco pertença, de fato, às mulheres.




