Durante muito tempo, o crescimento do futebol feminino foi tratado como uma promessa para o futuro. Em 2025, os dados da FIFA transformaram essa expectativa em um fato econômico incontestável.
O recém-publicado Relatório de Transferências Global 2025 não apenas traz números positivos; ele descreve o nascimento de uma nova estrutura de mercado.
O salto de 80%: muito além do campo
Os gastos com transferências no futebol profissional feminino atingiram US$ 28,6 milhões em 2025. O crescimento é impressionante: mais de 80% em relação ao ano anterior. Trata-se do maior valor já registrado na história.
Mas o que está por trás desse número?
- Capilaridade: 756 clubes estiveram envolvidos em negociações internacionais. O ecossistema não está apenas mais rico; ele está maior.
- Lógica de Mercado: O número de clubes que pagaram taxas de transferência subiu quase 24%. Mais importante: o número de clubes que receberam receitas subiu 25%.
A análise é clara: o futebol feminino começou a operar em uma lógica de mercado cíclica, onde formação, investimento e retorno financeiro coexistem de forma consistente.
Do vínculo informal ao ativo estratégico
Por décadas, a ausência de contratos formais foi o “teto de vidro” da modalidade. Sem contrato, não há multa rescisória; sem multa, não há receita para o clube formador.
Em 2025, esse cenário mudou. O aumento das transferências é o reflexo direto da profissionalização jurídica. Mais jogadoras com contratos longos significam mais ativos protegidos para os clubes. Deixamos de falar apenas de “esporte” para falar de consolidação de estrutura econômica.
O recado para gestores e marcas
Se você atua na gestão esportiva, o relatório da FIFA deixa três lições fundamentais:
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Não é mais um projeto institucional: O futebol feminino não é “filantropia” ou “ESG”; é um ativo esportivo com valor real de mercado.
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O investimento precisa de inteligência: Não basta injetar capital; é preciso planejamento, governança e visão de médio prazo.
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Sustentabilidade é a chave: O crescimento exige políticas de proteção às atletas e estratégias de negócio que garantam a perenidade financeira.
O Brasil e a Copa de 2027: o relógio está correndo
Para o Brasil, o cenário é ainda mais urgente. Com a Copa do Mundo de 2027 no horizonte, o tempo da improvisação acabou.
Ou o país utiliza este ciclo para estruturar seus clubes e proteger suas atletas, ou assistiremos passivamente à maior oportunidade da nossa história ser capitalizada por mercados mais preparados.
O futebol feminino já entrou no mercado global com receita e lógica própria. A pergunta agora não é mais se ele vai crescer, mas quem está preparado para liderar esse crescimento.
Foto: Jose Manuel Alvarez/Quality Sport Images/Getty Images




