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Brasileirão Feminino A1 2026 terá apenas duas treinadoras mulheres

Rosana Augusto e Fabi Guedes são as únicas comandantes mulheres no Brasileirão Feminino A1 2026

Palmeiras e Atlético-MG serão comandados por mulheres na Série A1 2026, que começa nesta quinta-feira.

O Campeonato Brasileiro Feminino Série A1 de 2026 terá início no dia 12 de fevereiro e contará com um dado que chama atenção: entre as 18 equipes participantes, apenas duas serão comandadas por mulheres. Rosana Augusto, à frente do Palmeiras, e Fabiana Guedes, no Atlético-MG, recém-promovido à elite, são as únicas representantes femininas no comando técnico da principal divisão do futebol feminino nacional.

O cenário reforça um debate sobre a sub-representação de mulheres em cargos de liderança, mesmo em um campeonato que tem o futebol feminino como foco. Em 2026, além de serem as únicas técnicas da Série A1, Rosana e Fabi Guedes também se destacam por serem mulheres negras ocupando posições historicamente dominadas por homens.

ESTREIAS NA SÉRIE A1 2026

Na rodada de abertura do Brasileirão Feminino A1, o Palmeiras, comandado por Rosana Augusto, estreia contra o América-MG. Já o Atlético-MG, sob direção de Fabiana Guedes, terá um desafio de maior grau logo na primeira rodada, diante do Corinthians, atual campeão do torneio. Ambos os adversários têm treinadores homens.

O confronto marca a estreia do Galo na elite após o acesso conquistado na temporada anterior e também a primeira experiência de Fabi Guedes como técnica principal na Série A1.

TRAJETÓRIA DE FABI GUEDES NO FUTEBOL

Criada em Taboão da Serra (SP), Fabiana Guedes iniciou sua relação com o futebol ainda na infância, jogando com os irmãos em um campo próximo de casa. A partir desse contato, construiu uma carreira como jogadora que passou por clubes como Santos e Botucatu, além de experiências no futebol europeu, com atuações na Áustria e na Inglaterra. Fabi também tem passagem pela Seleção Brasileira Feminina.

Após encerrar a carreira como atleta, Fabi iniciou a transição para a comissão técnica com apoio de profissionais do meio. Atuou como auxiliar técnica em clubes como Audax, Santos e Red Bull Bragantino, enfrentando desafios comuns a mulheres nesse espaço, como questionamentos sobre sua presença no ambiente de trabalho. Em maio de 2025, assumiu o Atlético-MG como treinadora principal, conquistando o acesso à Série A1.

Fabi Guedes no Atlético-MG
Fabi Guedes será a treinadora das Vingadoras na Série A1 2026 / Foto: Redes Sociais

Formada em Educação Física, com Licença Pro da CBF, Fabiana teve seu contrato renovado pelo clube até o final de 2026 após recolocar a equipe na elite do futebol feminino brasileiro.

CAMINHO DE ROSANA AUGUSTO COMO TREINADORA

Rosana Augusto iniciou sua trajetória como técnica em 2021, no Athletico Paranaense, com um desempenho expressivo. Na sequência, comandou o Red Bull Bragantino até 2023, passou pela Seleção Brasileira Feminina Sub-20 e retornou ao futebol nacional para dirigir o Flamengo, antes de reassumir o comando do Palmeiras em outubro do ano passado.

Ao longo da carreira como treinadora, Rosana acumula títulos relevantes, como o Campeonato Paranaense Feminino (2021), o Brasileirão Feminino A2 (2023), o Sul-Americano Sub-20, além de conquistas em 2025 como a Copa do Brasil Feminina e o Paulistão Feminino. No último sábado (7), Rosana também conquistou a Supercopa Feminina disputada, sendo o seu terceiro título pelo Palmeiras como treinadora. Vale ressaltar que a comandante está à frente do time alviverde há menos de 4 meses. 

Rosana Augusto (Palmeiras) na Copa do Brasil
Rosana Augusto conquistou o primeiro título do Palmeiras na Copa do Brasil 2025 / Foto: Rebeca Reis/Staff Images Woman/CBF

LIDERANÇA NO FUTEBOL FEMININO

A presença de apenas duas mulheres no comando técnico da Série A1 em 2026 evidencia a urgência de políticas e incentivos que ampliem o acesso de mulheres a cargos de liderança no futebol. Estudos e levantamentos do próprio cenário esportivo indicam que a maioria das equipes ainda opta por treinadores homens, mesmo em competições femininas.

A trajetória de Rosana Augusto e Fabiana Guedes demonstra caminhos possíveis para ampliar essa participação, desde a formação acadêmica até a experiência prática em comissões técnicas. A representatividade, além de simbólica, impacta diretamente o desenvolvimento da modalidade ao ampliar referências, estimular novas profissionais e diversificar perspectivas dentro dos clubes.

A partir do dia 12 de fevereiro, o Brasileirão Feminino A1 de 2026 também será palco para a observação de como essas lideranças femininas se consolidam em um ambiente ainda marcado por desigualdades estruturais.

Foto: Fabio Menotti/Palmeiras / Pedro Click / Atlético

Isadora Leocardio

Jornalista e repórter no DONAS FC. Acompanho e produzo conteúdos sobre futebol feminino com foco em análise, cobertura de jogos e histórias inspiradoras das atletas. Apaixonada pelo esporte, contribuo para o crescimento e a visibilidade do futebol feminino no Brasil e no mundo.

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