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Ação-MT é alvo de denúncias de atletas por salários atrasados e estrutura precária no futebol feminino

Ação-MT é alvo de denúncias de atletas por salários atrasados e estrutura precária no futebol feminino

Jogadoras do clube relatam problemas estruturais em alojamento, salários atrasados, falta de alimentação adequada e dificuldades enfrentadas durante a temporada

Atletas do elenco feminino do Ação-MT denunciaram ao Donas FC atrasos salariais, falta de pagamentos e condições consideradas precárias no alojamento oferecido pelo clube durante a temporada de 2026. Os relatos foram feitos sob condição de anonimato por jogadoras da equipe que descrevem problemas estruturais, falhas na alimentação e dificuldades enfrentadas em viagens da equipe.

O Ação disputa atualmente o Campeonato Brasileiro Feminino A2 e garantiu vaga na terceira fase da Copa do Brasil Feminina 2026 após eliminar o Mixto. Apesar do momento esportivo, atletas afirmam que a rotina fora de campo é marcada por problemas recorrentes de infraestrutura e atrasos financeiros.

Segundo uma das jogadoras ouvidas pela reportagem, o elenco chegou ao Mato Grosso e inicialmente foi instalado em uma casa alugada pelo clube. A promessa, de acordo com a atleta, era de uma estrutura adequada para acomodar as jogadoras, algo que, segundo ela, não aconteceu. “Era uma casa com estrutura muito ruim”, afirmou.

A atleta relata que cerca de 18 jogadoras dividiram o espaço, que possuía apenas três quartos. Entre os problemas citados estão água sem filtragem adequada, infiltrações e presença constante de animais no imóvel.

De acordo com o relato, a caixa d’água apresentava problemas sanitários e havia presença frequente de rãs no local. Após uma tentativa de manutenção, a situação não teria sido completamente resolvida. “A água começou a sair com barro”, contou a jogadora.

Atletas do Ação registram precariedade em alojamento
Atletas do Ação-MT registram precariedade em alojamento | Arquivo pessoal

Algumas semanas depois, o grupo foi transferido para o centro de treinamento utilizado pelo clube. Segundo as atletas, o alojamento do CT apresentava condições ainda piores. As jogadoras afirmam que toda a equipe feminina permanece hospedada no local até hoje por necessidade logística durante as competições.

As denúncias apontam presença de rãs dentro da cozinha e até no freezer utilizado para armazenar alimentos consumidos pelo elenco. A atleta também afirma que animais apareciam frequentemente sobre panelas, pratos e utensílios utilizados na rotina das jogadoras.

Além disso, as condições dos banheiros também foram alvo de reclamações. Segundo os relatos, a água acumulava durante os banhos por falhas no escoamento, enquanto rachaduras no teto provocavam goteiras em períodos de chuva. As atletas ainda citam problemas de segurança nos quartos, com portas sem tranca adequada.

“Quando a gente viajava, ficava tudo aberto”, disse uma das jogadoras. Segundo ela, muitas atletas precisavam improvisar formas de proteger objetos pessoais durante as viagens da equipe.

Outro ponto relatado envolve as condições de alimentação e deslocamento durante as partidas fora de casa. Uma das atletas afirmou que a delegação realizou uma viagem de aproximadamente 15 horas após uma partida contra o Atlético Piauiense com alimentação insuficiente durante o trajeto.

Segundo a jogadora, a equipe saiu do Piauí durante a madrugada e chegou ao Mato Grosso apenas no início da noite, tendo recebido apenas um lanche disponibilizado anteriormente no hotel. A situação teria sido determinante para a decisão da atleta de deixar o clube.

“Eu fui para jogar porque precisava jogar, mas passar por essa situação não compensava”, afirmou.

Fotos: Arquivo pessoal

As denúncias também envolvem pendências financeiras. Jogadoras relatam atrasos salariais e pagamentos ainda não realizados pelo clube, incluindo valores referentes ao período trabalhado e despesas assumidas pelas próprias atletas.

Uma das fontes afirma que deixou o Ação sem receber integralmente os dias trabalhados e precisou custear a própria passagem de retorno após decidir sair da equipe. Segundo ela, outras jogadoras do elenco também convivem atualmente com salários atrasados.

Além das condições relatadas dentro do alojamento, atletas afirmam que há registros recentes da presença de cobras próximas aos quartos utilizados pelas jogadoras no CT.

O caso amplia a discussão sobre a estrutura oferecida ao futebol feminino em clubes brasileiros, especialmente em equipes que disputam competições nacionais. Até a publicação desta matéria, o Ação-MT não se manifestou sobre o assunto.

Foto: Reprodução / Redes Sociais / Ação-MT

Isadora Leocardio

Jornalista e repórter no DONAS FC. Acompanho e produzo conteúdos sobre futebol feminino com foco em análise, cobertura de jogos e histórias inspiradoras das atletas. Apaixonada pelo esporte, contribuo para o crescimento e a visibilidade do futebol feminino no Brasil e no mundo.

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