Atletas que dividem o dia a dia em equipes da NWSL e do futebol europeu estarão em lados opostos no amistoso entre Brasil e Estados Unidos
O amistoso entre Brasil e Estados Unidos, neste sábado (6) e também na terça-feira (9), colocará frente a frente algumas jogadoras que compartilham os mesmos vestiários ao longo da temporada. Em campo pelas seleções, atletas acostumadas a atuar lado a lado em clubes da NWSL e do futebol europeu viverão uma realidade diferente durante os 90 minutos de jogo.
O cenário reflete uma transformação cada vez mais presente no futebol feminino internacional. Com o aumento da presença de brasileiras em ligas estrangeiras, especialmente nos Estados Unidos e na Europa, atletas de diferentes nacionalidades passaram a dividir rotinas de treinamento, viagens e competições em algumas das principais equipes do mundo.
Um dos exemplos mais evidentes está no San Diego Wave. A equipe norte-americana reúne quatro brasileiras convocadas para os amistosos: Dudinha, Gabi Portilho, Ludmila, do Brasil, e Kennedy Wesley, dos Estados Unidos. O clube se consolidou nos últimos anos como um dos principais destinos da NWSL para atletas internacionais e reúne talentos de diferentes seleções nacionais.

A convivência diária cria um ambiente de troca constante, mas o amistoso interrompe momentaneamente essa parceria. No confronto entre Brasil e Estados Unidos, companheiras de equipe passam a ocupar lados opostos da disputa, carregando para o campo um conhecimento detalhado sobre características, movimentações e comportamentos umas das outras.
Outro encontro de destaque envolve a zagueira Tarciane e a meio-campista Lily Yohannes. As duas atuam pelo Lyon, da França, clube que construiu uma das trajetórias mais vitoriosas da história do futebol feminino europeu. Referência em desenvolvimento de atletas e presença frequente nas principais competições continentais, a equipe francesa também se tornou um espaço de convivência entre jogadoras de diferentes seleções.

No amistoso, a parceria construída no futebol europeu dará lugar a um duelo direto entre representantes de duas das principais seleções da modalidade. O conhecimento adquirido nos treinamentos pode influenciar decisões dentro de campo, especialmente em disputas individuais.
A NWSL também será representada por outra dupla de companheiras. No Angel City, Ary Borges divide o elenco com a defensora Gisele Thompson, uma das jovens promessas do futebol norte-americano. Acostumadas à rotina da liga dos Estados Unidos, elas se reencontram agora em um contexto completamente diferente.

Situação semelhante acontece no Kansas City Current. A goleira Lorena atua ao lado das norte-americanas Michelle Cooper, Croix Bethune e Ally Sentnor, todas convocadas para o amistoso. A convivência diária permite que as atletas conheçam pontos fortes e padrões de jogo umas das outras, fator que pode gerar duelos particulares ao longo da partida.

A internacionalização do futebol feminino brasileiro tem ampliado esse tipo de cenário. Nos últimos anos, o número de atletas do país atuando em ligas estrangeiras cresceu significativamente, aproximando jogadoras de diferentes nacionalidades em ambientes de alta competitividade. Como consequência, confrontos entre seleções passaram a reunir cada vez mais companheiras de clube em lados opostos.
Brasil e Estados Unidos chegam ao amistoso em meio à preparação para os próximos compromissos do calendário internacional e para a sequência do ciclo que tem como principal objetivo a Copa do Mundo de 2027. Além da importância técnica para as comissões e para a avaliação dos elencos, o duelo será marcado por reencontros entre atletas que compartilham o cotidiano nos clubes, mas que, por uma noite, defenderão interesses distintos dentro de campo.
Foto: Kansas City Current / Reprodução
Brad Smith/ISI Photos/USSF/Getty Images




