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Do primeiro passo à parceria com a Espanha: a evolução do futebol feminino na FPF

Do primeiro passo à parceria com a Espanha: a evolução do futebol feminino na FPF

Dez anos após criar uma estrutura exclusiva para a modalidade, Federação Paulista amplia atuação internacional com a Liga F 

Há dez anos, o futebol feminino paulista começava a ganhar uma estrutura própria dentro da Federação Paulista de Futebol (FPF). Em 2016, a entidade criou uma diretoria exclusiva para a modalidade. Desde então, ampliou o calendário, criou competições de base, incorporou novas tecnologias e passou a explorar modelos comerciais para o futebol feminino.

Em 2026, esse processo ganhou uma dimensão internacional: na quarta-feira (26), a FPF firmou uma parceria com a Liga F, principal liga feminina da Espanha, para promover intercâmbio de profissionais, formação e desenvolvimento da modalidade.

Em uma década, a estrutura dedicada ao futebol feminino na FPF passou a contemplar 11 competições em 2025. O crescimento do calendário também ampliou o número de equipes alcançadas pelas iniciativas da entidade, que passou a atuar em diferentes categorias e formatos de competição. Segundo dados da entidade, os 98 jogos realizados em 2016 passaram para 500 em 2025. No mesmo período, o número de equipes impactadas pelas iniciativas da FPF saltou de 14 para 141.

A base também cresceu

A expansão chegou com força às categorias de base. Em 2017, a FPF criou o Paulista Feminino Sub-17, apontado pela entidade como o primeiro campeonato de base feminino do futebol brasileiro. Anos depois, a estrutura ganhou o reforço do Paulista Sub-15 e do Paulista Sub-20 (lançado em 2022), além do lançamento da Copinha Feminina, realizada em parceria com a Prefeitura de São Paulo para projetar promessas do país inteiro.

Após realizar festivais e torneios pilotos em formato concentrado, a FPF lança em 2026 o primeiro Campeonato Paulista Feminino Sub-13 oficial de sua história, previsto para novembro, integrando a categoria definitivamente ao calendário estadual.

No futebol adulto, o calendário também foi ampliado: além do Paulistão, a modalidade passou a contar com a Copa Paulista e a Taça Paulistana, que atende clubes de menor orçamento, garantindo atividade e receita ao longo de todo o ano para clubes de diferentes portes.

Infográfico da evolução do futebol feminino Paulista
Infográfico da evolução do futebol feminino Paulista

Do campo ao modelo de negócios

A profissionalização da gestão foi peça-chave nessa transformação. Aline Pellegrino, que assumiu a diretoria da FPF em 2016, liderou um período de forte expansão na estrutura e visibilidade do futebol feminino.

Aline Pellegrino durante atuação na FPF | Lucas Figueiredo/CBF

Durante sua atuação, os jogos passaram a ter transmissões pela internet e o Campeonato Paulista registrou públicos expressivos, com aproximadamente mais de 28 mil torcedores pagantes na final de 2019, entre Corinthians e São Paulo, na Arena Corinthians. Foi também nessa fase, entre 2018 e 2020, que a FPF começou a estruturar os primeiros grandes aportes via Lei de Incentivo ao Esporte para o futebol feminino.

Atualmente diretora de legado da FIFA, Pellegrino ajudou a consolidar a modalidade na grade e no orçamento da entidade. Em 2025, Kin Saito assumiu como diretora executiva de Futebol Feminino, dando sequência a uma estrutura já madura. A nova gestão impulsionou a maturidade financeira do ecossistema: a FPF potencializou o uso dos incentivos fiscais e passou a estruturar modelos de negócios ainda mais robustos, ampliando novos modelos de negócios, de licenciamento e parcerias comerciais.

Kin Saito, atual diretora de futebol feminino da FPF | Luiz Minici/Agência Paulistão

A expansão paulista acompanha um movimento mais amplo no futebol feminino brasileiro, uma evolução nacional. Em julho, a CBF divulgou um panorama apontando o crescimento das competições nacionais — de seis em 2021 para nove em 2026 — e do número de equipes, que saltou de 58 para 79. O planejamento da confederação prevê mais de R$ 685 milhões em investimentos na modalidade entre 2024 e 2029.

Em julho, a CBF divulgou um panorama apontando o crescimento do número de competições nacionais, de seis em 2021 para nove em 2026, e de equipes participantes, de 58 para 79. Segundo o planejamento da entidade, a previsão é de mais de R$ 685 milhões em investimentos na modalidade entre 2024 e 2029. 

Tecnologia e transmissão entram no jogo

A profissionalização também chegou à operação e à distribuição das partidas. O Paulistão Feminino passou a ser a primeira competição feminina de futebol no Brasil com VAR em todos os jogos, com a implementação custeada pela FPF.

Em 2026, a competição também ampliou sua presença na televisão e nas plataformas digitais, com transmissões por SporTV, YouTube/CazéTV, Max, Space e Record News. As finais também terão transmissão da TV Globo. 

Parceria FPF com Liga F

Faltando dez meses para a Copa Feminina no Brasil,  a parceria da FPF com a Liga F aparece, portanto, em um momento em que a estrutura do futebol feminino paulista já passou por uma década de expansão. O acordo prevê intercâmbio de profissionais e conhecimentos, formação técnica e administrativa, desenvolvimento da arbitragem, cursos, pesquisas, workshops, visitas técnicas e projetos de impacto social.

FPF e Liga F firmam parceria inédita para desenvolver o futebol feminino
FPF firmou, na última quarta feira (26), uma parceria com a Liga F, principal liga feminina da Espanha | Rodrigo Corsi

A parceria aproxima duas estruturas que, embora atuem em contextos diferentes, têm desafios semelhantes na consolidação do futebol feminino como produto esportivo e profissional.

Enquanto a FPF reúne experiência na organização de competições que vão da formação ao profissional e em projetos voltados a diferentes áreas da modalidade, a Liga F concentra a operação da principal divisão espanhola e a profissionalização de uma competição que reúne alguns dos principais clubes e atletas do mundo.

As duas estruturas também enfrentam desafios distintos na transformação do crescimento esportivo em maior alcance comercial e audiovisual, o que abre espaço para a troca de experiências prevista no acordo. 

Foto: Rodrigo Corsi / FPF

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