Clube goiano repete o 1 a 0 da ida, conquista título nacional em sua primeira temporada e se torna o mais jovem campeão brasileiro; quatro semifinalistas garantem acesso à A2 de 2027
O Planalto-GO é o campeão do Brasileirão Feminino A3 de 2026. A equipe goiana venceu o Juventude-SE por 1 a 0, neste sábado (5), no Batistão, em Aracaju, e confirmou o título com duas vitórias pelo mesmo placar na decisão. O resultado levou pela primeira vez um troféu nacional feminino para Goiás e encerrou uma campanha de estreia marcada por 10 vitórias em 14 partidas.
O gol da conquista saiu aos 44 minutos do primeiro tempo. Em cobrança de falta pela esquerda, Brenda bateu de longe e acertou o ângulo direito da goleira Monique. A camisa 10 colocou o Planalto novamente em vantagem e fez o time goiano chegar ao intervalo ainda mais próximo da taça.
Na etapa final, o Juventude tentou aumentar a pressão em busca da virada que levaria a decisão aos pênaltis, mas encontrou dificuldades para criar chances claras. A atacante Laureen, artilheira do campeonato com 11 gols, foi bem marcada e teve pouca participação ofensiva.
O Planalto ainda chegou a marcar novamente aos 41 minutos. Idalana recebeu a bola após uma dividida na entrada da área e finalizou rasteiro, mas o gol foi anulado por impedimento. As goianas mantiveram a defesa protegida até o apito final e confirmaram a conquista.
Na primeira partida da final, disputada em Aparecida de Goiânia, o Planalto havia vencido por 1 a 0, com gol de Marcelly. Nos acréscimos daquele jogo, a goleira Lescaut defendeu um pênalti cobrado por Manu, lance que preservou a vantagem construída em casa.
Título histórico para o futebol feminino de Goiás
Fundado em dezembro de 2024, o Planalto disputou sua primeira temporada no calendário nacional em 2026. Com o título, o clube se tornou, segundo a CBF, o mais jovem a conquistar um Campeonato Brasileiro, com apenas um ano e nove meses de existência. O recorde anterior pertencia ao Brasiliense, campeão da Série C de 2002 dois anos e quatro meses depois de sua fundação.
A conquista também representa o primeiro título de Goiás em uma competição nacional feminina. O estado havia chegado perto em 2025, quando o Vila Nova foi vice-campeão da A3 diante do Atlético-PI.
O Planalto havia disputado o Campeonato Goiano em 2025 e terminado como vice-campeão, resultado que garantiu a participação na A3 de 2026. Na estreia nacional, a equipe comandada por Regiane Santos avançou até a decisão e terminou a competição com a taça.

Raio-X das campeãas
Em 14 partidas, o Planalto somou 10 vitórias, três empates e uma derrota, com 28 gols marcados e 18 sofridos. Marcelly foi a principal goleadora da equipe, com sete gols, enquanto Moara marcou quatro.
Campanha do Planalto-GO
- 14 jogos
- 10 vitórias
- 3 empates
- 1 derrota
- 28 gols marcados
- 18 gols sofridos
- 7 gols de Marcelly
Na primeira fase, o Planalto terminou na liderança do Grupo A2, com 11 pontos, à frente do Pantanal no saldo de gols. A chave ainda tinha Várzea Grande e Cresspom.
Nas oitavas de final, o time enfrentou o Rolim de Moura-RO e avançou com 7 a 0 no placar agregado, após empate sem gols na ida e goleada por 7 a 0 na volta.
Nas quartas, eliminou o Pantanal-MS com duas vitórias por 1 a 0. Na semifinal, superou o Realidade Jovem-SP novamente em dois jogos: 2 a 0 em Aparecida de Goiânia e 2 a 1 em São José do Rio Preto. O agregado de 4 a 1 colocou o Planalto na decisão.
A final repetiu o padrão das fases anteriores: defesa sólida, vantagem construída no primeiro jogo e controle do resultado na volta. Contra o Juventude, a equipe marcou uma vez em cada partida e não sofreu gols.

Juventude-SE faz história mesmo com o vice
O Juventude-SE terminou a competição como vice-campeão, mas encerrou a temporada com um feito inédito para o futebol de Sergipe: tornou-se o primeiro clube sergipano a disputar uma final de competição nacional. O título escapou após duas derrotas por 1 a 0, mas a campanha garantiu ao clube uma vaga na Série A2 de 2027.
O time de Estância terminou a A3 com 11 vitórias, um empate e duas derrotas, além de 28 gols marcados e 16 sofridos. Laureen foi o principal destaque ofensivo, com 11 gols e a artilharia da competição.
Na primeira fase, o Juventude liderou o Grupo 8, com 16 pontos em 18 possíveis, a segunda melhor campanha geral. A equipe terminou invicta a etapa inicial e confirmou a classificação para o mata-mata.
No mata-mata, o Juventude eliminou o R4-CE nas oitavas, com vitórias por 2 a 1 e 1 a 0. Nas quartas, passou pelo Prosperidade-ES, novamente com dois triunfos, por 2 a 0 e 2 a 1. Na semifinal, superou a Portuguesa-AP por 2 a 0 e 1 a 0, garantindo presença inédita na decisão nacional.

Quatro clubes garantem acesso à A2
A edição de 2026 também marcou uma ampliação do acesso entre as divisões nacionais. As quatro semifinalistas, Planalto-GO, Juventude-SE, Realidade Jovem-SP e Portuguesa-AP, garantiram vaga no Brasileirão Feminino A2 de 2027, independentemente do resultado da semifinal.
O Realidade Jovem-SP chegou à semifinal depois de eliminar o Coritiba. Após perder por 2 a 1 na ida, venceu por 2 a 0 no Teixeirão e avançou. A equipe de São José do Rio Preto havia terminado a primeira fase com 100% de aproveitamento, seis vitórias em seis partidas.
A Portuguesa-AP também alcançou uma marca inédita para o estado. Nas quartas de final, eliminou o Tiradentes-PA após vencer por 5 a 2 na ida e 3 a 2 na volta. Na semifinal, perdeu os dois jogos para o Juventude, mas já tinha assegurado o acesso. A classificação fez da Portuguesa o primeiro clube do Amapá a conquistar uma vaga em uma divisão nacional feminina.
Com isso, a A2 de 2027 receberá quatro clubes que chegaram à última fase da terceira divisão, ampliando a presença de equipes de diferentes estados no segundo nível do futebol feminino brasileiro.
A maior edição da história da A3
O título do Planalto encerra a quinta edição do Brasileirão Feminino A3, que passou por uma reformulação em 2026. A competição saiu de 78 partidas em 2025 para 126 jogos em 2026, enquanto o calendário aumentou de 11 para 14 datas. A primeira fase também mudou: os 32 participantes foram divididos em oito grupos de quatro clubes, com confrontos em turno e returno.
As mudanças vieram acompanhadas de aumento nas cotas de participação. Na primeira fase, o valor destinado a cada clube passou de R$ 36 mil em 2025 para R$ 120 mil em 2026. A CBF também garantiu aos 32 participantes uma vaga na Copa do Brasil Feminina.
O acesso das quatro semifinalistas completa a reformulação. A partir de 2027, Planalto-GO, Juventude-SE, Realidade Jovem-SP e Portuguesa-AP disputarão a A2, enquanto o A3 ganha novos espaços para clubes de diferentes regiões do país.
Para o Planalto, a transformação foi ainda mais rápida: fundado no fim de 2024, o clube entrou pela primeira vez no calendário nacional em 2026, conquistou o título da terceira divisão e garantiu a presença na A2 em sua temporada de estreia.
Foto: Luiz Neto / Staff Images / CBF




