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Gotham FC recebe Washington Spirit em jogo histórico no Citi Field-NY

Por Suleima Sena | Nova York (EUA)

Nesta quarta-feira (15), o Citi Field casa histórica do New York Mets – recebe pela primeira vez um evento esportivo feminino. Gotham FC e Washington Spirit entram em campo às 20h (horário local) para o Queens Classic, num confronto que carrega muito mais do que os três pontos da NWSL: é uma declaração de que o futebol feminino já ocupa os grandes palcos do esporte americano, e que Nova York quer estar no centro dessa história antes mesmo da Copa do Mundo Feminina de 2027.

O passo mais ousado da estratégia de expansão

O Gotham FC manda seus jogos no Sports Illustrated Stadium, em Harrison, Nova Jersey. Nunca, porém, havia disputado uma partida oficial da NWSL dentro dos limites da cidade de Nova York,  até agora. A escolha do Citi Field é peça central de um plano de longo prazo: aproximar a marca do público nova-iorquino antes da mudança definitiva para o Etihad Park, em Queens, prevista para 2028, quando o clube finalmente terá um estádio próprio dentro da cidade que carrega no nome.

O jogo desta quarta também marca a estreia do clube em partida de temporada regular na própria cidade de Nova York , um mercado que a diretoria do Gotham considera decisivo para o crescimento da liga. No sábado seguinte, dia 18, a equipe volta a atuar na cidade, desta vez no Icahn Stadium, contra o Seattle Reign FC.

Recorde de público à vista

Mais de 40 mil ingressos já haviam sido vendidos antes da bola rolar, número que projeta o Queens Classic como o maior evento de esporte feminino na história da cidade de Nova York , superando inclusive a final do US Open de 2023 em Arthur Ashe, que reuniu cerca de 28 mil torcedores. A movimentação em torno do jogo inclui uma programação de pré-jogo com o Footy Fest, ativações de patrocinadores e transmissão nacional pela ESPN, sinal do investimento comercial que a liga tem atraído nesta temporada.

Reencontro no topo da tabela

Além do simbolismo, o duelo reúne dois times na briga direta pelo título. O Gotham FC chega como atual campeão da NWSL – o time reforça a boa fase batendo o Utah Royals por 3 a 1 na rodada passada, resultado que marcou a centésima vitória do clube na história da temporada regular e elevou a equipe à quarta posição da tabela, com 24 pontos em sete vitórias, três empates e três derrotas. Nos últimos oito jogos, o time venceu seis.

Do outro lado, o Washington Spirit aparece empatado em terceiro lugar, também com 24 pontos, dividindo a posição com Utah Royals e Kansas City. A artilheira Trinity Rodman soma cinco gols em doze partidas na temporada- repetindo o número da campanha anterior e segue como uma das principais referências ofensivas da liga.

Um clássico que já é história da NWSL

O confronto desta quarta-feira será o 45º encontro entre os dois clubes em todas as competições, o que iguala Seattle Reign FC e Portland Thorns FC como o duelo mais disputado da história da liga. No retrospecto geral, o Washington Spirit leva ligeira vantagem, com 17 vitórias contra 15 do Gotham e 12 empates.

É também o primeiro reencontro das equipes desde a final da NWSL de 2025, quando o Gotham conquistou seu segundo título em três temporadas, batendo o Washington Spirit por 1 a 0 com gol de Rose Lavelle aos 35 minutos do segundo tempo. A rivalidade, apelidada de District vs. Empire, tem ganhado contornos cada vez mais fortes: as equipes se enfrentaram nos playoffs em cada uma das duas últimas temporadas, e o Gotham chega para este jogo invicto nos quatro confrontos de 2025 diante do rival.

As chegadas que mudam o tabuleiro: Sam Kerr e Denise O’Sullivan

Dentro de campo, a expectativa maior é pela possível estreia de duas contratações de peso do Gotham FC.

A atacante australiana Sam Kerr, maior artilheira da história da fase regular da NWSL, assinou contrato com o clube até 2030 depois de deixar o Chelsea como agente livre. Kerr já havia defendido o extinto Sky Blue FC, hoje Gotham -entre 2015 e 2017, período em que bateu recordes da liga e foi eleita MVP. Sua janela de elegibilidade para atuar pela NWSL se abriu em 14 de julho, um dia antes do Queens Classic, o que torna o Citi Field o palco mais simbólico possível para uma fantástica estreia.

Também chega ao time a irlandesa Denise O’Sullivan, contratada por empréstimo junto ao Liverpool e considerada uma das melhores meio-campistas do mundo,  reforço que amplia o poder de fogo do meio-campo comandado por Juan Carlos Amorós.

Do outro lado, o projeto Michele Kang

O Washington Spirit pertence à empresária Michele Kang, uma das principais investidoras do futebol feminino mundial. Kang também controla o Olympique Lyonnais, na França, e o London City Lionesses, na Inglaterra – uma rede internacional dedicada ao desenvolvimento da modalidade, com reputação construída em torno de profissionalização e infraestrutura de ponta.

Por que isso importa para o futebol feminino brasileiro

O Queens Classic é mais um capítulo de um verão decisivo para o futebol feminino nos Estados Unidos — e serve como termômetro para o que o Brasil pode almejar rumo à Copa do Mundo Feminina de 2027. Um jogo de temporada regular capaz de vender 40 mil ingressos, atrair transmissão nacional e mobilizar toda uma cidade mostra o patamar comercial que a NWSL já alcançou. Para quem acompanha de perto a construção do ecossistema do futebol feminino no Brasil , das arquibancadas às diretorias – , Nova York oferece um case concreto de como visibilidade, investimento e narrativa caminham juntos.

Elsa/NWSL via Getty image

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