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Rosana Augusto deixa o comando do Palmeiras

Rosana Augusto deixa o comando do Palmeiras

Treinadora encerra passagem pelo clube após quatro títulos; número de mulheres no comando técnico da Série A1 cai em relação ao maior registrado na temporada

O Palmeiras anunciou nesta sexta-feira a saída de Rosana Augusto do comando da equipe feminina. A decisão foi definida em comum acordo entre o clube e a treinadora, que estava à frente das Palestrinas desde outubro de 2025 e conquistou quatro títulos durante sua passagem.

O desligamento também ocorre três dias após o Corinthians anunciar a saída de Emily Lima. Com as duas mudanças, o número de mulheres à frente de clubes da Série A1 do Campeonato Brasileiro Feminino caiu de quatro para duas novamente. Até esta publicação, Palmeiras e Corinthians ainda não haviam anunciado substitutos para as treinadoras.

As saídas encerram, ao menos por enquanto, a presença de Rosana e Emily entre as mulheres que ocuparam cargos de comando na primeira divisão em 2026. Fabi Guedes, no Atlético-MG, e Jéssica de Lima, no Grêmio, permanecem como as únicas treinadoras na competição.

Rosana Augusto deixa o Palmeiras após quatro títulos

Contratada em outubro de 2025, após deixar o Flamengo, Rosana Augusto encerra sua passagem pelo Palmeiras com 46 partidas disputadas, 26 vitórias, 15 empates e cinco derrotas. O retrospecto corresponde a aproximadamente 67,4% de aproveitamento dos pontos.

Durante o período, a treinadora conquistou quatro títulos com as Palestrinas. Em 2025, levantou as taças da Copa do Brasil Feminina e do Campeonato Paulista. Já em 2026, comandou a equipe nas conquistas da Supercopa Feminina e da Brasil Ladies Cup.

Rosana Augusto após o primeiro título do Palmeiras na Copa do Brasil Feminina, em 2025 | Rebeca Reis/Staff Images Woman/CBF
Rosana Augusto após o primeiro título do Palmeiras na Copa do Brasil Feminina, em 2025 | Rebeca Reis/Staff Images Woman/CBF

Na atual temporada, entretanto, o Palmeiras também acumulou eliminações em competições importantes. No Campeonato Brasileiro, a equipe caiu nas quartas de final diante do Bahia, após dois empates e decisão por pênaltis. Na Libertadores Feminina, o resultado se repetiu contra o Santa Fe, da Colômbia, também nas quartas de final.

Em comunicado oficial, o clube confirmou que o desligamento aconteceu em comum acordo e agradeceu à profissional pelos serviços prestados, além de desejar sucesso na sequência da carreira. Até o anúncio da saída, não havia sido divulgada uma justificativa adicional sobre a decisão, nem um posicionamento público de Rosana a respeito do encerramento do trabalho.

Mulheres ainda são minoria no comando técnico do futebol feminino

A redução ocorre em um contexto de baixa representatividade feminina nos cargos de liderança do futebol. Em 2025, o Brasileirão Feminino começou com quatro treinadoras entre os 16 clubes participantes: Camilla Orlando, no Palmeiras; Regiane Santos, no Sport; Jéssica de Lima, na Ferroviária; e Thaissan Passos, no Grêmio. Naquele ano, a presença feminina também não ultrapassava 30% das equipes. Mais tarde, em novembro de 2025, Rosana Augusto como a única mulher à frente de uma equipe da elite nacional naquele momento.

O cenário brasileiro acompanha uma desigualdade identificada internacionalmente. De acordo com o FIFA Women’s Football Benchmarking Report, divulgado pela entidade, mulheres ocupavam apenas 22% dos cargos de treinadoras principais nas 86 ligas e nos 669 clubes analisados. O levantamento é global e não representa exclusivamente a realidade brasileira, mas oferece uma referência sobre a baixa participação feminina na liderança técnica do futebol.

Entre os obstáculos apontados por profissionais estão o acesso às oportunidades, a formação, os custos dos cursos de qualificação e a dificuldade de permanência no mercado. Em reportagem publicada pelo ge em março de 2025, a ex-treinadora do Palmeiras Camilla Orlando relatou experiências de desigualdade salarial e de confiança no trabalho. Segundo ela, mulheres precisam demonstrar constantemente sua capacidade profissional em um ambiente no qual os homens ainda são maioria.

Com Fabi Guedes e Jéssica de Lima como únicas treinadoras na configuração atualizada até 6 de novembro, a temporada encaminha para o fim com metade das mulheres que chegaram a ocupar simultaneamente esses postos em 2026. A ampliação das oportunidades de formação, contratação e permanência será determinante para que a presença feminina na liderança técnica deixe de depender de mudanças pontuais nas comissões dos clubes.

Foto: Diego Soares/Ag.Paulistão

Isadora Leocardio

Jornalista e repórter no DONAS FC. Acompanho e produzo conteúdos sobre futebol feminino com foco em análise, cobertura de jogos e histórias inspiradoras das atletas. Apaixonada pelo esporte, contribuo para o crescimento e a visibilidade do futebol feminino no Brasil e no mundo.

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