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O futebol feminino nunca foi o problema. A má gestão, sim.

Nos últimos anos, um padrão tóxico vem se repetindo no futebol brasileiro e, no Donas FC, acreditamos que é hora de dar nome aos bois.

Sempre que o futebol masculino entra em crise, o futebol feminino é escolhido para pagar a conta. Surgem os cortes de orçamento, o encerramento de categorias de base e os discursos prontos sobre “falta de sustentabilidade”. Mas basta uma análise rápida para perceber que a narrativa é falsa: o futebol feminino não é o ralo do dinheiro; ele é a vítima da incompetência gerencial.

O roteiro da conveniência

Não foi o futebol feminino que endividou os clubes brasileiros. Não foi a modalidade feminina que inflou folhas salariais de atletas medianos ou que gerou multas contratuais astronômicas por erros de planejamento no masculino.

O que vemos é um movimento recorrente: quando a conta chega, corta-se onde há menos resistência política. Casos recentes como o do Real Brasília e do Fortaleza mostram que, para muitos dirigentes, o futebol feminino ainda é visto como um “anexo” descartável, e não como um pilar estratégico.

O “Ponto Zero” da nossa evolução: Governança

Para o futebol feminino prosperar, não basta apenas “vontade”. É preciso Estrutura de Governança. No Donas FC, defendemos que o sucesso da modalidade passa por um ponto inegociável: A criação de departamentos próprios e independentes.

Gerir o futebol feminino exige conhecimento específico. É uma dinâmica de mercado diferente, um perfil de consumo próprio e um modelo de formação que não pode ser uma cópia carbono do masculino. Quando o departamento é gerido por profissionais que apenas “quebram um galho”, o resultado é o improviso. E o improviso é o caminho mais curto para o fracasso. Profissionalismo não é custo, é investimento

Ter profissionais qualificados e dedicados exclusivamente à modalidade não é um luxo. É blindagem institucional. Um clube que entende o futebol feminino como unidade de negócio consegue:

  • Atrair patrocinadores que buscam propósito;
  • Reduzir riscos jurídicos e trabalhistas;
  • Construir um legado de imagem que o masculino, muitas vezes em crise, não consegue entregar.

O futebol feminino e a agenda global (ESG)

Não podemos mais ignorar que o esporte está inserido em um contexto global de responsabilidade. Estruturar o feminino é cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, como a Igualdade de Gênero (ODS 5) e Instituições Eficazes (ODS 16).

Hoje, grandes marcas não querem apenas estampar um logo na camisa; elas buscam parceiros que pratiquem o ESG (Ambiental, Social e Governança) na essência. Sem governança no feminino, o clube fecha as portas para o mercado financeiro e publicitário moderno.

É hora de escolher o futuro

O futebol feminino não “freia” os clubes. Pelo contrário, ele escancara quem nunca soube gerir o esporte com visão de médio e longo prazo. O incômodo de muitos dirigentes nasce do fato de que a modalidade exige planejamento, algo que o amadorismo brasileiro sempre tentou evitar.

O futebol feminino não pede privilégios. Ele exige ser tratado com a seriedade de um projeto profissional. Enquanto aceitarmos que ele seja o primeiro a cair em qualquer crise, estaremos apenas validando a mediocridade da gestão esportiva no Brasil.

O futebol feminino não é o problema. Ele é, e sempre será, parte da solução.

Foto: Getty Images

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