Com acordos de Amazon, Hyundai, Itambé e Uber, temporada 2026 marca avanço comercial, aumento de premiação e consolidação do futebol feminino no Brasil.
A temporada 2026 do futebol feminino brasileiro começou sob um novo patamar de estrutura e investimento. A abertura do calendário com a Supercopa Feminina, disputada entre Palmeiras e Corinthians, simbolizou não apenas o início das competições, mas também um momento de reorganização comercial e institucional da modalidade.
O ano é considerado estratégico por anteceder a Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027, que será realizada no Brasil. A expectativa de visibilidade internacional tem estimulado marcas a ampliarem presença no futebol feminino, enquanto a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) implementa mudanças estruturais no calendário e na lógica de premiação.
PARANORAMA ATUAL DO MERCADO DE PATROCÍNIOS
Em 2026, as principais competições femininas organizadas pela CBF (Supercopa, Campeonato Brasileiro Séries A1, A2 e A3 e Copa do Brasil) iniciaram a temporada com quatro patrocinadores máster: Hyundai, Uber, Amazon e Itambé. Os acordos têm duração entre dois e três anos e contemplam propriedades comerciais como placas de campo, backdrops de entrevistas, ações digitais, experiências com torcedores e ativações institucionais.

A entrada e renovação de contratos com empresas de setores distintos de automotivo, mobilidade, tecnologia e alimentos, indicam diversificação da carteira de patrocinadores, movimento considerado relevante para a sustentabilidade do mercado.
Levantamento da Globo Ads aponta que 43% do público entende que marcas que investem no futebol feminino demonstram compromisso efetivo com o desenvolvimento do esporte e com a promoção da igualdade de gênero e diversidade. Apenas 22% avaliam esses aportes como cumprimento de obrigação institucional ou adesão pontual a uma tendência. Além disso, 85% defendem ampliação dos investimentos privados na modalidade e 78% enxergam espaço comercial ainda subaproveitado.
CRESCIMENTO EM RELAÇÃO ÀS TEMPORADAS ANTERIORES
Os dados de audiência de 2025 reforçam o ambiente favorável. As transmissões alcançaram 50 milhões de pessoas na TV Globo, com crescimento de 15% na audiência da emissora e de 28% no SporTV. Finais registraram ocupação superior a 90% nos estádios, consolidando aumento de engajamento e consumo.
Em 2026, o Campeonato Brasileiro Série A1 passa a contar com 18 clubes, 23 datas e 167 jogos, contra 134 na temporada anterior. A ampliação do calendário e a inclusão de todos os clubes da elite na Copa do Brasil Feminina aumentam a previsibilidade e o volume de propriedades comerciais disponíveis para negociação.
A Supercopa Feminina abriu o calendário com premiação de R$ 1 milhão para a equipe campeã e R$ 600 mil para a vice, sinalizando avanço na remuneração direta das competições. A Copa do Brasil Feminina também teve as cotas de participação ampliadas em relação ao formato anterior.

IMPACTO FINANCEIRO E ESTRATÉGIAS COMERCIAIS
O aumento do número de jogos e datas amplia receitas potenciais com direitos de transmissão, exposição de marca e bilheteria. Para clubes e atletas, a expansão do calendário representa maior regularidade contratual, possibilidade de valorização salarial e fortalecimento de departamentos exclusivos para o futebol feminino.
As equipes têm adotado estratégias de profissionalização que incluem fortalecimento de identidade visual própria, produção de conteúdo digital direcionado, ativação de marcas nas redes sociais e integração com projetos sociais e categorias de base. A presença de patrocinadores com contratos plurianuais contribui para planejamento de médio prazo e estabilidade financeira.
CONSOLIDAÇÃO E DESAFIOS
Apesar do avanço comercial, a modalidade ainda enfrenta desafios estruturais e culturais. Pesquisa aponta que 79% do público reconhece algum grau de preconceito em relação ao futebol feminino. Por outro lado, o esporte é associado a atributos como inspiração, energia e dinamismo, especialmente entre mulheres, que representam 54% do público consumidor.
Com calendário ampliado, aumento de premiações e presença de grandes marcas, 2026 se consolida como temporada de transição entre crescimento e maturidade. O cenário indica que o futebol feminino brasileiro deixa de ser tratado apenas como aposta futura e passa a integrar, de forma mais consistente, o planejamento estratégico do mercado esportivo nacional.
Foto: Redes Sociais / Hyundai Brasil




