Atacante nascida no Brasil e naturalizada norte-americana assina com o San Diego Wave em um dos maiores contratos da história da modalidade
Até então no Chelsea, a atacante Catarina Macario agora defenderá o San Diego Wave. Para contar com a jogadora, o clube norte-americano pagou cerca de 300 mil dólares ao time inglês pela transferência. O contrato da atleta gira em torno de 8 milhões de dólares (cerca de 41 milhões de reais) e vai até a temporada de 2030.
O valor faz com que Macario supere o salário da atual melhor do mundo, Aitana Bonmatí, e passe a figurar entre as jogadoras mais bem pagas da história do futebol feminino.
Quem é Catarina Macario?
Aos 26 anos, Macario nasceu em São Luís, no Maranhão, mas se mudou ainda jovem para os Estados Unidos, onde construiu grande parte da carreira.
Antes de chegar no futebol profissional, chegou a fazer parte de uma escolinha de formação do Santos, no Brasil, passou pelas categorias de base do San Diego, nos Estados Unidos, mas destacou-se defendendo Stanford, entre 2017 e 2020, equipe com a qual conquistou títulos importantes da NCAA.
Passagem pela Europa
O bom desempenho serviu de porta de entrada para o futebol europeu. A atacante iniciou a carreira profissional no Lyon, da França, onde conquistou a Champions League Feminina 2021/2022. Durante os três anos no time Francês, a atleta alcançou a marca de 23 gols e seis assistências em 34 jogos.
Em 2023, transferiu-se para o Chelsea, da Inglaterra, mas diversas lesões a impediram de ter uma sequência maior de jogos e se consolidar como titular na equipe.
A saída da técnica Emma Hayes dos Blues e a chegada de Sonia Bompastor ao comando da equipe também contribuíram para a redução da minutagem da atleta nas partidas.
Volta ao San Diego
Agora, Catarina retorna a San Diego, cidade onde cresceu e começou a se desenvolver no futebol. No Wave, Macario chega com mais experiência e uma expectativa de assumir papel importante no setor ofensivo da equipe.
Naturalizada norte-americana, a atleta jogará ao lado de outras brasileiras no elenco do San Diego Wave, como Gabi Portilho, Ludmilla e Dudinha.
Disputando as competições nacionais desde 2022, e chegando duas vezes às semifinais da NWSL e ganhando a Challenge Cup 2024, o novo clube que Catarina Macario defenderá pretende se consolidar entre as principais forças da liga.
A bagagem internacional de peso da atleta, com 29 partidas internacionais e 16 gols marcados atuando no elenco da seleção dos Estados Unidos, dezenas de convocações e a conquista de medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, é uma aposta.
Macario será apresentada à torcida neste sábado
Em publicação nas redes sociais do clube, a nova jogadora de San Diego afirmou estar entusiasmada com o novo capítulo da carreira.
“Esta cidade desempenhou um papel muito importante na minha trajetória, e a oportunidade de voltar e representá-la significa muito para mim. Desde as primeiras conversas com o clube, senti a ambição e a visão do que podemos alcançar juntos, incluindo trazer troféus para esta comunidade. Sou grata pela confiança que depositaram em mim e mal posso esperar para começar e dar tudo por esta equipe”, disse a atacante.
Na nova equipe, Macario vestirá a camisa número 20. A jogadora também será apresentada oficialmente aos torcedores neste sábado (28), durante o intervalo da partida no Snapdragon Stadium.
Investimento crescente da NWSL no futebol feminino
A contratação reforça o investimento crescente da NWSL no futebol feminino. Nos últimos anos, clubes da liga norte-americana têm ampliado os valores de contratos e transferências.
Esse movimento tem estimulado discussões sobre o tema, causado algumas polêmicas e até provocado mudanças em regras da competição. A liga também tem lidado com a fuga de talentos para a Europa.
Um dos motivos apontados é o teto salarial imposto pela NWSL, que, de acordo com as regras, seria de 3,5 milhões de dólares no total para pagamento de salários em 2026.
Em janeiro, no entanto, o Washington Spirit tornou Trinity Rodman a jogadora mais bem paga do futebol feminino ao assinar um acordo de 2 milhões de dólares (cerca de R$ 10,5 milhões) por temporada, válido por três anos, permitindo que a atleta permanecesse na equipe.
Diante desse cenário, a liga criou, em dezembro, a regra da “jogadora de alto impacto”, que passou a permitir que os clubes ultrapassem o limite de 1 milhão de dólares (R$ 5,2 milhões) para determinadas atletas. A mudança, porém, não foi aprovada pela associação de jogadoras da NWSL.
O sindicato argumenta que alterações desse tipo deveriam ser debatidas e aprovadas em acordo coletivo. No entanto, a proposta defendida pelas atletas, apelidada de “regra Rodman”, aponta que o caminho mais adequado seria aumentar o teto salarial de toda a liga.
Foto: Divulgação / San Diego Wave FC




