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Únicas convocadas do Rio de Janeiro, Meninas da Gávea brilham na Seleção Brasileira Sub-17

Ser convocada pela Seleção Brasileira na sua categoria, dar assistência, fazer gol em final continental. Esses são alguns dos ingredientes que permeiam o sonho de qualquer atleta de alto rendimento. E, no caso das Meninas da Gávea, esse sonho já é realidade.

Campeãs Sul-Americanas do Sub 17 de 2026, as jogadoras da base do Flamengo, Leticia Pinho, Nicolly Manuel e Isabela Kotait, únicas atletas do Rio de Janeiro chamadas para a competição, chegaram à 4ª convocação pela Seleção e conversaram, com exclusividade, com o Donas FC. Elas falaram sobre a experiência representar o clube no cenário internacional e de vivenciar um título tão jovens.

Cria do Complexo da Maré, autora de gol de pênalti com cavadinha e um golaço na final da competição, Nicolly, que completou 16 anos no dia da decisão (09/05), destacou como o Flamengo tem sido determinante para sua evolução:

“Desde que cheguei aqui, venho amadurecendo muito e ganhando confiança. Aprendo bastante com as meninas e tenho uma grande estrutura para crescer dentro e fora de campo”.

Letícia reforçou a importância da vivência no clube e a bagagem aquirida em competições nacionais. A atacante, que migrou do futsal para o campo e chegou no Flamengo em 2024, já atua também pelo Sub-20.

“Os campeonatos contribuíram muito para que eu chegasse à Seleção. O fato de estar no Sub-20 também ajuda bastante, afinal, o nível de treinamento é muito alto”.

Para Isabela Kotait, de 16 anos, o Flamengo representa o início de tudo.

“O Flamengo é meu primeiro clube. O clube que me abriu as portas, me deu as primeiras oportunidades e me faz feliz todos os dias. Aqui aprendi, desde cedo, a importância de vestir uma camisa tão pesada”.

O peso da camisa poderia ser um desafio, mas as três mostram maturidade e Nicolly resume o sentimento: “Representar o Flamengo é especial. A gente aprende aqui diariamente como tem que se comportar e isso facilita quando chegamos na Seleção”.

“O Flamengo é um clube gigante. Todo mundo conhece e isso pesa bastante. É uma responsabilidade grande chegar lá como atleta do Flamengo, mas a gente tem que estar preparada sempre. Eu diria, também, que é uma honra”, complementou Isabela.

Letícia, a mais nova do trio, reforça como o cotidiano rubro-negro prepara para os grandes palcos: “O fato de vestir a camisa do Flamengo há tanto tempo facilita em termos de grandeza. A gente se acostuma com o dia a dia e quando vamos para as convocações, entendemos o nosso papel e a importância da imagem do clube”.

Aprendizados do Sul-Americano

O título veio após uma campanha sólida do Brasil, que enfrentou seleções com estilos muito distintos. Letícia destacou esse ponto: “Acho que aprendi muito jogando contra equipes sul-americanas que têm estilos diferentes do Brasil. E acho que um grande aprendizado foi a variedade de cenários dentro da mesma partida. Lidar com isso é algo muito diferente de tudo”.

Quando perguntada sobre de que forma a vivência na Seleção pode inspirar suas colegas de clube que também sonham em chegar lá, Nicolly foi direta: “Com trabalho e dedicação é possível chegar lá. As possibilidades aparecem e a gente tem que estar pronta para abraçar”.

A emoção também marcou o torneio. Isabela relembrou a estreia e o no momento do título:

“A estreia foi muito marcante pra mim. Naquele momento eu parei pra pensar em tudo que já aconteceu comigo. Foi ali que percebi que realizei um sonho de infância e isso é muito importante. Eu sempre quis viver momentos assim no futebol. E no momento do título, não consigo nem explicar o que senti. Foi um misto de emoções. Deu vontade de chorar, de rir… De abraçar as meninas. Foi um momento especial demais”.

Letícia compartilhou o mesmo sentimento:

“Esse campeonato me marcou de uma forma inexplicável e eu nunca vou esquecer. Vestir essa camisa é, e sempre será, uma honra”.

E complementou: “É uma conquista muito importante e especial pra mim, pois é fruto de muito trabalho e muito esforço dentro e fora do clube. Eu vivo pelo meu sonho e tenho um apoio gigante dos meus familiares, das minhas companheiras e, claro, do clube. Que investe em mim e me proporciona estar sempre no alto nível”.

Isabela reforçou como tudo mudou rapidamente:

“Passa um filme na cabeça. Essa conquista mostrou pra mim que tudo pode mudar em pouco tempo e que a gente precisa acreditar. Seguir o nosso sonho. Do ano passado pra cá eu já realizei muitos sonhos. Fui campeã pelo Flamengo, atuei no Sub-20, vivenciei atmosferas incríveis… E agora consegui tudo isso com a camisa da Seleção”.

Para Nicolly, o título é prova de trabalho coletivo:

 “É a realização de um sonho e fruto de muito trabalho. Isso só mostra a força do trabalho que fazemos no Flamengo”.

Desafios e Futuro

Felicidade. Desenvolvimento. Orgulho. Sonho. Realização. Mas o caminho tem seus desafios. Letícia nos contou o que considerou mais desafiador vivenciar ao longo da competição dentro e fora de campo: “Nosso maior desafio foi enfrentar diferentes seleções, com características diferentes e pontos fortes diferentes, além do fato do tempo de entrosamento entre a gente. O intervalo entre os jogos é algo desafiador por se tratar de uma competição muito intensa”.

De volta ao clube, Nicolly compartilhou como pensa em transformar a experiência em combustível para a sequência da temporada:

“Antes do jogo da final, eu pensei em aproveitar a oportunidade e entregar ao máximo tudo que estava no meu alcance. Fazer gol numa final foi extremamente especial, a realização de um sonho. Agora, quero usar tudo que aprendi lá pra seguir evoluindo e colocar o Flamengo no topo”.

As Meninas da Gávea agora voltam as suas atenções para a semifinal do Campeonato Brasileiro Sub-20. Depois de golearem o Internacional por 4 a 1 no jogo de ida, o grupo se prepara para o duelo decisivo no dia 20 de maio no Francisco Novelletto.

Foto: Staff Imagens – CBF

Fernanda Portella

Jornalista formada pela Faculdade Pinheiro Guimarães, com mais de sete anos de experiência em comunicação digital, gestão de redes sociais, produção de conteúdo, vídeo e assessoria de imprensa para projetos culturais e do terceiro setor.

Gerenciei mais de 20 iniciativas desde 2018, incluindo O Cais do Valongo, Centro Afro Carioca de Cinema, Mostra Joel Zito, A Segunda Black e o Festival Gamboa de Portos Abertos. Atuei em produções audiovisuais para Maricá Filmes (Rio2C), Casa de Rui Barbosa e no lançamento do documentário Brizola, anotações para uma história.

Em assessoria de imprensa, colaboro com a Awure Comunicação em projetos como Rolé Carioca 2025, Manifesto Elekô, Artes em Rede, Avós da Comunidade, DeNegrir, Mulher Potência Empreendedora e Las Choronas (CCBB RJ).

Desenvolvo também trabalho documental em fotografia de candomblé, premiado na I Mostra Fluminense de Fotografia (2023), no Shell Iniciativa Jovem (2024) e reconhecido pela Câmara do Rio.

Paralelamente, atuo como colaboradora com artigos semanais no Portal das Damas e no Donas FC.

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