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Semifinal entre Ferroviária e São Paulo no Brasileirão Feminino Sub-20 é paralisada após denúncia de misoginia

Semifinal entre Ferroviária e São Paulo no Brasileirão Feminino Sub-20 é paralisada após denúncia de misoginia

Zagueira do São Paulo denunciou ofensas de cunho misógino feitas por um maqueiro da Ferroviária durante a semifinal do Campeonato Brasileiro Feminino Sub-20; arbitragem acionou protocolo antidiscriminação na Arena Fonte Luminosa.

A semifinal do Campeonato Brasileiro Feminino Sub-20 entre Ferroviária e São Paulo Futebol Clube, disputada nesta quarta-feira (20), na Arena Fonte Luminosa, em Araraquara, foi marcada por uma denúncia de misoginia contra a zagueira Sarah Aysha, da equipe tricolor. O episódio ocorreu nos acréscimos do segundo tempo e levou a arbitragem a interromper a partida para acionar o protocolo antidiscriminação previsto pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Dentro de campo, o São Paulo venceu por 4 a 2 e garantiu vaga na final da competição nacional de base. Porém, o confronto ganhou repercussão após a atleta afirmar ter sido ofendida verbalmente por um integrante da equipe de apoio da Ferroviária.

Segundo relato da jogadora, o caso aconteceu quando ela deixava o gramado em uma maca. Abalada emocionalmente, Sarah Aysha chorou no banco de reservas e chegou a passar mal. Em entrevista ao Sportv, a defensora desabafou sobre o episódio.

“A gente está numa categoria de base. A gente está aqui para aprender e, num momento daquele, o cara me mandar tomar no c* e me chamar de biscate, é inadmissível. A gente está treinando todo dia, o ano inteiro treinando longe da família para chegar um cara e me chamar de biscate fora do campo. É inadmissível.”, declarou a zagueira do São Paulo.

Momento em que Sarah Aysha desabafa sobre episódio de misoginia na semifinal do Brasileirão Feminino Sub-20 | Reprodução / Sportv
Momento em que Sarah Aysha desabafa sobre episódio de misoginia na semifinal do Brasileirão Feminino Sub-20 | Reprodução / Sportv

A árbitra da partida, Talita Ximenes de Freitas, registrou o caso na súmula oficial da partida e confirmou o acionamento do protocolo antidiscriminação. De acordo com o documento, a paralisação aconteceu aos 48 minutos do segundo tempo, após jogadoras do São Paulo denunciarem a ofensa atribuída ao maqueiro Jair Modesto Palombo.

Na súmula, a árbitra relatou:

“Informo que aos 45+3 minutos do segundo tempo, a partida ficou paralisada por 3 minutos, após ser informada pelas jogadoras da equipe do São Paulo Futebol Clube, da ofensa proferida pelo maqueiro Sr. Jair Modesto Palombo, bem como o pedido de abertura do protocolo antirracismo. Diante dos fatos, paralisei a partida e abri o protocolo conforme solicitado, prestando assistência à atleta ofendida, nº 4, Sr. Sarah Aysha Lopes Santos, da equipe do São Paulo Futebol Clube, a atleta relatou que o referido senhor proferiu as seguintes palavras: ‘vai tomar no c*, biscate’. Informei as capitãs e a técnica da equipe visitante, aguardei a recuperação da atleta e, após questioná-la se estava apta a retornar à partida, a mesma informou que retornaria. Dessa forma, a partida foi reiniciada aos 45+6 minutos do segundo tempo.”

Após o episódio, o funcionário deixou o estádio. O caso rapidamente repercutiu e mobilizou manifestações de torcedores, atletas e profissionais ligados ao futebol feminino, que cobraram punições e reforçaram debates sobre violência verbal e discriminação no esporte.

Pronunciamento das equipes e entidades

A Ferroviária divulgou nota oficial classificando a atitude como “inadmissível” e afirmando que o comportamento não representa os valores do clube. A equipe também pediu desculpas à atleta do São Paulo e informou que adotará medidas internas.

“As Guerreiras Grenás vêm a público manifestar repúdio à atitude ocorrida ao final da partida da categoria Sub-20, quando um integrante da equipe de apoio proferiu ofensas contra uma atleta do São Paulo Futebol Clube. O comportamento registrado é inadmissível, não representa os valores da instituição e contraria tudo aquilo que defendemos dentro e fora de campo: respeito, responsabilidade, ética, formação humana e valorização das mulheres no esporte. Pedimos desculpas à atleta ofendida, ao São Paulo Futebol Clube, à sua comissão técnica, ao elenco e a todos que se sentiram atingidos pela situação. Nenhuma circunstância justifica agressões verbais, especialmente em um ambiente que deve promover convivência, educação e respeito entre atletas, profissionais e equipes. A instituição informa que a conduta será apurada internamente e que as medidas cabíveis serão adotadas. Reforçamos, ainda, nosso compromisso permanente com a construção de um futebol feminino cada vez mais seguro, respeitoso e digno para todas as pessoas envolvidas.”

O clube de Araraquara também parabenizou o São Paulo pela classificação à final do Brasileirão Feminino Sub-20.

O São Paulo também se pronunciou oficialmente minutos após a partida e afirmou que dará suporte à jogadora. O clube destacou que não tolera atitudes discriminatórias e cobrou responsabilização pelo ocorrido.

“Na partida desta quarta-feira (20), entre Ferroviária e São Paulo, pela semifinal do Campeonato Brasileiro Feminino Sub-20, a arbitragem acionou o protocolo antirracista após a atleta Sarah Aysha, do São Paulo, sofrer um episódio de misoginia vindo de um integrante do quadro móvel da equipe mandante. O São Paulo FC reforça que não tolera nenhum tipo de preconceito e aguarda que as autoridades cumpram com sua responsabilidade para que a justiça seja feita. Reafirmamos que atitudes ofensivas, discriminatórias ou desrespeitosas não serão toleradas em nosso ambiente. O São Paulo FC também informa que prestará todo suporte necessário à atleta, que muito nos orgulha de ter no elenco, vestindo nossa camisa. O Futebol Feminino é gigante, e não há espaço para cenas lamentáveis como esta.”

A Federação Paulista de Futebol (FPF) chegou a se pronunciar sobre o caso, contando que as duas equipes fazem parte da entidade:

“A Federação Paulista de Futebol lamenta e repudia veementemente o episódio de misoginia relatado na partida entre Ferroviária x São Paulo, válida pela semifinal do Campeonato Brasileiro Feminino Sub-20, nesta quarta-feira (20), envolvendo atleta do São Paulo. A FPF reafirma que qualquer forma de discriminação e intolerância é inaceitável. A Federação confia que os fatos serão devidamente apurados pelas autoridades competentes e se coloca à disposição para colaborar integralmente com o que for necessário, para que haja responsabilização e para que episódios como este não encontrem espaço no esporte.”

Até o momento, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não se manifestou sobre o ocorrido.

Foto: Reprodução / Redes socias

Isadora Leocardio

Jornalista e repórter no DONAS FC. Acompanho e produzo conteúdos sobre futebol feminino com foco em análise, cobertura de jogos e histórias inspiradoras das atletas. Apaixonada pelo esporte, contribuo para o crescimento e a visibilidade do futebol feminino no Brasil e no mundo.

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