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Após sequência de lesões, Cruzeiro encerra vínculo com Fabiola Sandoval

Após sequência de lesões, Cruzeiro encerra vínculo com Fabiola Sandoval

Atacante paraguaia deixa as Cabulosas após duas graves lesões no ligamento cruzado anterior; saída ocorre enquanto o clube investiga a alta incidência de rupturas de LCA no elenco feminino 

A trajetória da atacante paraguaia Fabiola Sandoval no Cruzeiro chegou ao fim. O clube mineiro anunciou oficialmente o encerramento do vínculo com a jogadora, que viveu momentos de destaque com a camisa celeste, mas teve sua passagem marcada por graves lesões que impediram uma sequência dentro de campo.  

Contratada para a temporada de 2024, Sandoval rapidamente conquistou espaço no elenco das Cabulosas. Em sua passagem pelo Cruzeiro, disputou 21 partidas, marcou sete gols e distribuiu quatro assistências, além de participar das campanhas que renderam três títulos consecutivos do Campeonato Mineiro Feminino.  

No entanto, o cenário mudou quando,  em agosto de 2024, Fabiola rompeu o ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho esquerdo e precisou passar por cirurgia. Após um longo período de recuperação, voltou aos gramados em 2025. Cerca de dois meses depois do retorno, sofreu uma nova ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho esquerdo durante um treinamento na Toca da Raposa, iniciando mais um longo processo de recuperação. A segunda lesão fez com que a atleta iniciasse mais um extenso processo de recuperação.  

Mesmo já em fase de transição física e treinando novamente no campo, o Cruzeiro optou por encerrar o contrato da jogadora. Em comunicado divulgado nas redes sociais, o clube agradeceu pelos serviços prestados e desejou sucesso na continuidade da carreira da atacante.  

“O Futebol Feminino do Cruzeiro agradece aos serviços prestados e deseja sucesso na sequência da trajetória profissional da atleta”, escreveu a página oficial do time nas redes sociais.” 

Poucas horas depois do anúncio oficial, Fabiola Sandoval também se pronunciou em suas redes sociais. Em uma mensagem de despedida, a paraguaia relembrou os desafios enfrentados durante sua passagem pelo clube, agradeceu o apoio recebido da torcida, companheiras e profissionais do Cruzeiro, e destacou que deixa Belo Horizonte com a consciência tranquila por ter superado inúmeros obstáculos ao longo desse período.  

“Chega ao fim mais um ciclo da minha carreira. Nem sempre as histórias terminam da forma como imaginamos. Depois de um longo período de recuperação, esperei com muita dedicação pelo momento de voltar a fazer o que mais amo: jogar futebol. Infelizmente, esse retorno aconteceu por um tempo muito menor do que eu sonhava”.

Sandoval afirmou ainda que deixa o clube “com o coração tranquilo”, por acreditar que honrou o compromisso assumido com a camisa celeste, e disse confiar que novas oportunidades surgirão na sequência da carreira.

Carreira de Fabíola Sandoval 

Aos 27 anos, Sandoval soma passagens por equipes importantes do futebol sul-americano, começou a carreira no Sportivo Limpeño e, em seguida, passou pelo Libertad, ambos do Paraguai. 

Fez uma breve passagem pelo Colo-Colo, do Chile. Chegou ao Brasil em 2021, onde atuou pelo Bahia. Em 2022 defendeu o Avaí/Kindermann, no ano seguinte foi para o Internacional e em 2024 chegou ao Cruzeiro.

Cruzeiro tem 20% do elenco feminino com lesão de LCA

Reapresentação Cruzeiro Feminino | Divulgação/ Cruzeiro

A saída de Sandoval acontece em meio a um cenário que preocupa o departamento médico do Cruzeiro. Em 2026, o clube chegou a registrar seis atletas afastadas por ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA), número equivalente a mais de 20% do elenco feminino e o maior entre os clubes da modalidade na temporada. 

Entre as jogadoras que passaram pelo mesmo problema estão Millene, Gaby Soares, Ravenna, Tainara e Laura Felipe, além da atacante paraguaia. Diante da sequência de casos, o Cruzeiro informou que realiza um estudo interno para entender os fatores que podem ter contribuído para o alto número de lesões e, consequentemente, buscar medidas preventivas para reduzir a incidência desse tipo de contusão.  

Segundo especialistas, a maior incidência da ruptura do LCA em mulheres está relacionada a uma combinação de fatores anatômicos, neuromusculares e hormonais.  Aspectos como o formato da estrutura do joelho, o controle dos movimentos durante saltos e mudanças bruscas de direção, além das variações hormonais ao longo do ciclo menstrual, podem aumentar o risco da lesão. 

Ainda assim, os médicos ressaltam que programas específicos de prevenção, fortalecimento muscular e treinamento neuromuscular podem reduzir significativamente a incidência desse tipo de lesão entre atletas. 

A gestora do futebol feminino do Cruzeiro, Luiza Parreiras, afirmou que o clube trata a situação como algo fora do padrão e que vem monitorando dados como carga de treinamento, qualidade do sono, hidratação, composição corporal e ciclo menstrual das atletas para identificar as causas da sequência de casos e implementar mudanças capazes de reduzir a incidência desse tipo de lesão. 

Segundo a dirigente, o clube entende que o número de rupturas está acima do esperado e não trata a situação apenas como uma coincidência. 

Foto: Reprodução / Cruzeiro

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