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Denúncia: Atletas do Várzea Grande relatam atrasos salariais e alojamento precário

Denúncia: Atletas do Várzea Grande relatam atrasos salariais e alojamento precário

Jogadoras denunciam atrasos salariais, cortes de energia e condições precárias no Várzea Grande

O futebol feminino brasileiro enfrenta mais um capítulo de descaso. Atletas da equipe feminina do Várzea Grande Esporte Clube procuraram o Donas FC para relatar uma série de problemas enfrentados desde o início dos contratos: atrasos recorrentes de salários, falhas no alojamento e ausência de suporte básico para a manutenção das jogadoras.

Salários e contratos

De acordo com os relatos, os salários têm sido pagos fora das datas acordadas e, em diversos casos, apenas de forma parcial. Algumas atletas afirmam ter recebido somente 50% dos valores contratados, apresentados pela gestão como “ajuda” e não como obrigação contratual. Não há, segundo as jogadoras, qualquer previsão clara para a regularização dos valores pendentes.

As jogadoras também denunciam ausência de comunicação antecipada por parte da gestão sobre os atrasos. As justificativas apresentadas envolvem problemas administrativos e dependência de recursos externos, como verbas vinculadas à Lei de Incentivo ao Esporte.

Clima interno

Outro ponto sensível levantado pelas atletas diz respeito à forma como as cobranças têm sido recebidas internamente. Segundo os relatos, ao questionar os pagamentos, jogadoras foram respondidas de maneira considerada inadequada,  incluindo o envio de mensagens de áudio em tom agressivo pelo atual investidor financeiro responsável pela equipe feminina.

Alojamento e estrutura

As atletas também descrevem condições precárias no alojamento utilizado pela equipe. Itens básicos de higiene e limpeza estão ausentes, o que tem obrigado muitas jogadoras a arcarem com despesas essenciais do próprio bolso. O fornecimento de energia elétrica chegou a ser interrompido por algumas horas em razão do não pagamento de contas, situação que prejudicou diretamente a rotina de treinamentos e descanso das atletas.

O espaço físico segue sendo alvo de reclamações contínuas: banheiro entupido, falhas no sistema de ar-condicionado sem solução desde a chegada do grupo e ausência de privacidade, já que o alojamento funciona dentro do próprio centro de treinamento do clube.

Contexto

Os relatos reforçam um cenário que ainda expõe fragilidades estruturais profundas no futebol feminino brasileiro, especialmente fora dos grandes centros e dos clubes com maior capacidade de investimento. Questões ligadas à dignidade, segurança e condições mínimas de trabalho seguem sendo desafios recorrentes para atletas da modalidade em todo o país.

O Donas FC mantém o espaço aberto para manifestação oficial do Várzea Grande Esporte Clube e dos responsáveis mencionados pelas atletas. Caso o clube ou partes envolvidas queiram se pronunciar, entraremos em contato ou aguardamos posicionamento formal. Esta reportagem é baseada em relatos diretos de jogadoras que procuraram a redação do Donas FC.

Foto: Rodrigo Moreira/@rmp.fotografia

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