Katia Itzel García, Tori Penso, Tatiana Guzmán, Kathryn Nesbitt, Brooke Mayo e Sandra Ramírez integram o grupo de 170 oficiais selecionados pela FIFA para atuar na Copa do Mundo Masculina de 2026, nos Estados Unidos, México e Canadá
A Copa do Mundo de 2026 terá o maior quadro de arbitragem da história dos Mundiais. A FIFA nomeou 170 oficiais para conduzir os 104 jogos do torneio disputado nos Estados Unidos, México e Canadá. Dentro desse universo, apenas seis mulheres aparecem na lista oficial. Duas atuarão como árbitras centrais, três como assistentes e uma como oficial de vídeo. A presença feminina representa pouco mais de 3% do grupo selecionado, mas reforça um processo de abertura iniciado oficialmente na Copa do Mundo do Catar, em 2022.
A edição de 2026 marca a segunda vez que mulheres integram a arbitragem de um Mundial masculino. No Catar, a FIFA convocou três árbitras centrais e três assistentes. Quatro anos depois, o número total diminuiu ligeiramente, mas a presença feminina permanece em funções estratégicas, incluindo a operação do VAR.
A lista reúne profissionais que acumularam experiência em Copas do Mundo Femininas, Jogos Olímpicos, torneios continentais e competições masculinas de alto rendimento. Entre elas estão nomes que já participaram de decisões históricas e outras que chegam ao Mundial após quebrar barreiras em seus países.
Katia Itzel García (Árbitra)
Aos 33 anos, Katia Itzel García tornou-se um dos principais símbolos da renovação da arbitragem da Concacaf. Sua convocação para a Copa do Mundo de 2026 transformou-a na primeira mulher mexicana selecionada como árbitra central para um Mundial masculino.
Portadora do escudo FIFA desde 2019, García construiu sua trajetória em competições nacionais e internacionais. Participou da Copa do Mundo Feminina de 2023, dos Jogos Olímpicos de Paris 2024 e de torneios organizados pela Concacaf. Em 2024, ganhou projeção internacional ao apitar uma partida da Liga MX masculina, feito inédito para uma árbitra mexicana em mais de duas décadas.
Outro marco veio na Copa Ouro masculina da Concacaf, quando se tornou a primeira mexicana a comandar uma partida da competição. O desempenho em torneios internacionais colocou seu nome entre os árbitros monitorados pela FIFA durante o ciclo de preparação para 2026.

Sua presença no Mundial também expõe desafios enfrentados por mulheres na arbitragem. Nos últimos anos, García foi alvo de ataques misóginos após decisões em jogos da Liga MX, situação que gerou debates sobre machismo no futebol mexicano.
Tori Penso (Árbitra)
Se Katia García representa uma estreia histórica, Tori Penso chega ao Mundial como uma das árbitras mais reconhecidas do futebol internacional.
A norte-americana tornou-se a primeira mulher árbitra em tempo integral da Major League Soccer (MLS) e, em 2020, entrou para um grupo extremamente restrito de mulheres que comandaram partidas da principal liga masculina dos Estados Unidos.
Sua consolidação ocorreu na Copa do Mundo Feminina de 2023. Após uma campanha considerada exemplar pela Comissão de Arbitragem da FIFA, recebeu a designação para apitar a final entre Espanha e Inglaterra, tornando-se a primeira árbitra dos Estados Unidos a conduzir uma final de Copa do Mundo.

Penso também atuou no Mundial de Clubes masculino, nos Jogos Olímpicos de Paris 2024 e em diversas competições internacionais masculinas e femininas. Sua convocação para 2026 a colocou ao lado de Katia García como uma das únicas duas mulheres selecionadas para a função de árbitra principal.
Uma curiosidade de sua trajetória é a relação familiar com a arbitragem. Seu marido, Chris Penso, também é árbitro profissional. Fora dos gramados, Tori desenvolveu atividades acadêmicas e administrativas ligadas à formação de árbitros nos Estados Unidos.
Tatiana Guzmán (VAR)
Selecionada para integrar o grupo de oficiais de vídeo, a nicaraguense tornou-se uma das poucas mulheres do mundo a alcançar o mais alto nível da arbitragem tecnológica. Sua presença reforça a crescente participação feminina em áreas tradicionalmente dominadas por homens dentro das estruturas de arbitragem.
Embora o trabalho do VAR seja menos visível ao público, a função exige profundo conhecimento das regras, capacidade de análise rápida e domínio dos protocolos tecnológicos utilizados.

A convocação de Guzmán coloca a Nicarágua no mapa da arbitragem mundial e representa um avanço importante para federações menores da Concacaf, historicamente com pouca representação em grandes torneios.
Kathryn Nesbitt (Árbitra assistente)
Kathryn Nesbitt chega ao Mundial como uma das assistentes mais experientes do futebol internacional. Seu currículo inclui participações em Copas do Mundo Femininas, Jogos Olímpicos e competições organizadas pela federação internacional de futebol. Ela integrou a equipe que trabalhou na final da Copa do Mundo Feminina de 2023 ao lado de Tori Penso e Brooke Mayo.
Antes de se tornar árbitra em tempo integral, Nesbitt construiu carreira na área da saúde. Formada em ciências médicas, atuou profissionalmente como fisioterapeuta antes de alcançar reconhecimento internacional no futebol.

A combinação entre experiência clínica e arbitragem costuma ser citada como um diferencial em sua trajetória. No campo, consolidou-se pela precisão técnica e pela participação constante em jogos decisivos.
Brooke Mayo (Árbitra assistente)
A assistente norte-americana formou parceria frequente com Tori Penso e Kathryn Nesbitt em competições organizadas pela FIFA. O trio trabalhou junto na Copa do Mundo Feminina de 2023 e foi novamente selecionado para eventos internacionais posteriores.
Sua carreira inclui atuações em torneios da federação internacional de futebol, campeonatos continentais e competições profissionais dos Estados Unidos. A continuidade da parceria com Penso e Nesbitt foi um dos fatores que contribuíram para sua presença na Copa do Mundo de 2026.

Segundo a Federação de Futebol dos Estados Unidos, o trio feminino é o único grupo inteiramente composto por mulheres entre as equipes de arbitragem selecionadas para o Mundial masculino.
Sandra Ramírez (Árbitra assistente)
Sandra Ramírez completa a representação feminina mexicana no torneio. A assistente acumulou experiência em competições da federação internacional de futebol e da Concacaf ao lado de Katia García, formando uma das equipes femininas mais consolidadas da região.
Ramírez participou de competições femininas internacionais e acompanhou a ascensão da arbitragem mexicana em um período de expansão das oportunidades para mulheres em torneios masculinos e femininos.

Embora receba menos atenção pública do que as árbitras centrais, sua função é decisiva. Os assistentes são responsáveis por decisões técnicas fundamentais relacionadas a impedimentos, saídas de bola e apoio direto à equipe de arbitragem.
Desafios para o futuro
A presença feminina na Copa do Mundo Masculina de 2026 é resultado de um processo gradual de transformação conduzido pela FIFA ao longo da última década.
O ponto de virada ocorreu no Catar, em 2022, quando mulheres participaram pela primeira vez da arbitragem de um Mundial masculino. A francesa Stéphanie Frappart entrou para a história ao comandar Alemanha e Costa Rica, tornando-se a primeira mulher a apitar uma partida da competição.
Quatro anos depois, a FIFA manteve a política de inclusão baseada no desempenho técnico dos candidatos. A entidade afirma que a seleção dos oficiais segue o princípio de “qualidade em primeiro lugar”, considerando avaliações realizadas ao longo de vários anos em torneios nacionais e internacionais.
Apesar dos avanços, a disparidade permanece evidente. Em um grupo de 170 oficiais, apenas seis mulheres foram convocadas para o Mundial de 2026. O número demonstra que a presença feminina ainda é minoritária nos principais níveis da arbitragem internacional.
Ao mesmo tempo, a nomeação de Katia García, Tori Penso, Tatiana Guzmán, Kathryn Nesbitt, Brooke Mayo e Sandra Ramírez sinaliza a consolidação de uma nova geração de profissionais que conquistou espaço em competições tradicionalmente reservadas aos homens.
Mais do que personagens de um marco estatístico, as seis árbitras chegam à Copa do Mundo de 2026 após anos de avaliações, torneios internacionais e decisões de alta pressão. Em um evento acompanhado por bilhões de pessoas, elas representarão a continuidade de uma mudança que começou a ganhar forma em 2022 e que ainda está longe de atingir seu ponto final.
Foto: Manuel Velasquez/Getty Images




