Com o título da Copa do Mundo de 2026, a Espanha tornou-se o primeiro país a reunir ao mesmo tempo os troféus das Copas do Mundo masculina e feminina
A Espanha alcançou um feito inédito no futebol mundial. Com a vitória por 1 a 0 sobre a Argentina na final da Copa do Mundo de 2026, a seleção masculina conquistou o segundo título de sua história e transformou o país no primeiro a deter simultaneamente os troféus das Copas do Mundo masculina e feminina. A equipe feminina havia levantado a taça em 2023, na Austrália e na Nova Zelândia, após vencer a Inglaterra na decisão.
O marco coloca a Espanha em uma posição inédita no cenário internacional. Embora a Alemanha também tenha vencido os Mundiais masculino e feminino ao longo da história, nunca reuniu as duas conquistas ao mesmo tempo. A combinação dos títulos reforça um ciclo de protagonismo construído ao longo dos últimos anos por um modelo de desenvolvimento compartilhado entre as duas seleções.
Campanhas das equipes nos mundiais conquistados
Na campanha masculina, a equipe comandada por Luis de la Fuente superou um início irregular e cresceu durante a competição. Depois do empate sem gols diante de Cabo Verde na estreia, avançou com vitórias sobre Arábia Saudita e Uruguai, eliminou Áustria, Portugal, Bélgica e França no mata-mata e derrotou a Argentina na prorrogação da final com gol de Ferran Torres. Ao longo do torneio, sofreu apenas um gol.
A trajetória da seleção feminina, campeã em 2023, seguiu caminho semelhante. O time eliminou Holanda e Suécia nas fases decisivas antes de vencer a Inglaterra por 1 a 0 na decisão, com gol de Olga Carmona, para conquistar o primeiro título mundial da história do país entre as mulheres.
Identidade construída desde a base
Após a conquista da seleção masculina, a meia Aitana Bonmatí relacionou o sucesso espanhol a um projeto de longo prazo desenvolvido nas categorias de base.
“Eu acho que sim, somos referentes mundiais, não só pelo que, mas pelo como [desenvolver o futebol no país]. Acredito que temos uma forma única de jogar futebol, com esse estilo de ter o balão, de possessão. E isso se vê desde categorias inferiores, desde bem pequenas. Desde bem pequenas jogamos todos e todas igual. E essa é a identidade que só tem o nosso país.”
A declaração resume um dos principais pilares do futebol espanhol. Clubes e seleções trabalham com princípios semelhantes desde as categorias iniciais. A continuidade desse modelo permite que atletas cheguem às seleções principais familiarizados com a mesma identidade de jogo.
Ao comentar a preparação para a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será disputada no Brasil, Bonmatí destacou a importância do torneio e deixou claro o objetivo da equipe.
“Em primeiro lugar, jogar um Mundial no Brasil, espetacular. Quando você fala de futebol, um dos países que se identifica com o futebol é o Brasil. A forma como se joga, como se vive, sobretudo, e todos os jogadores e jogadoras que nasceram no Brasil. Por outro lado, sobre a Espanha, vamos ir para o Mundial, evidentemente. E agora, os caras têm duas estrelas, nós também queremos duas. Vai ser difícil porque vai ser um Mundial super competido, mas vamos ir para o Mundial.”

Espanha e Brasil com modelos diferentes
Durante a entrevista, Aitana também comparou o processo de formação espanhol com a tradição brasileira no futebol. Para a camisa 6, o desenvolvimento coletivo começa desde as primeiras categorias.
“Bom, eu acho que os projetos começam desde a base, desde os meninos e as garotas. Por exemplo, o Barça. O Barça trabalha desde os 5, 6, 7, 8 anos. A forma como se joga o futebol, quando você já é sênior, quando você já é maior.”
Apesar do elogio ao modelo espanhol, a jogadora ressaltou que as duas escolas possuem características próprias.
“Também não é verdade que não se pode comparar o Brasil com a Espanha, são identidades totalmente diferentes. Eu acho que no Brasil vocês têm uma identidade muito inata. Inata, jogadores com muito talento. A Espanha também, mas parte do jogo é em equipe. O Brasil para mim são mais individualidades e jogadores com muito, muito talento.”
Questionada sobre a possibilidade de conquistar títulos apoiada principalmente em talentos individuais, Bonmatí afirmou:
“Possível em qualquer torneio. Possível sim, porque a Argentina estava a ponto. Mas se você está em frente de um time, que para mim a Espanha é um time, é muito complicado. Mas a Argentina estava a ponto de ganhar com individualidades com o Messi. Mas o Messi é único.”
Próximo desafio será no Brasil
Atual campeã mundial entre as mulheres, a Espanha chegará à Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil, com a missão de defender o título conquistado em 2023. Caso volte a levantar a taça, ampliará um período histórico para o futebol espanhol, sustentado por uma geração que consolidou uma identidade comum entre as seleções masculina e feminina e transformou o país na principal referência do futebol internacional neste momento.
Foto: Izhar Khan / AFP




