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UEFA anuncia boicote a torneios da FIFA e futebol feminino pode ser o primeiro impactado

UEFA anuncia boicote a torneios da FIFA e futebol feminino pode ser o primeiro impactado

A UEFA anunciou que suas 55 federações não participarão de torneios organizados pela FIFA enquanto Gianni Infantino não cancelar a proposta de criação da FIFA Forward Enterprise (FFE)

A UEFA (União das Associações Europeias de Futebol) anunciou na tarde desta quinta-feira (30) o boicote e rompimento com a FIFA, após o presidente Gianni Infantino anunciar, na noite de ontem, quarta-feira (29), um projeto da empresa subsidiária FIFA Forward Enterprise, que permitirá a venda de operações de suas principais competições, entre elas a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes.

Com o posicionamento firme da UEFA, a Copa do Mundo Feminina Sub-20, que acontecerá em setembro na Polônia, poderá ser a primeira competição impactada pelo boicote. A UEFA possui seis seleções classificadas para o torneio, sendo a confederação com mais vagas. Espanha, França, Inglaterra, Itália, a anfitriã Polônia e Portugal são as representantes do continente no Mundial da categoria.

O boicote também poderá impactar nas Eliminatórias da Copa do Mundo Feminina de 2027, isso porque os playoffs da UEFA estão marcadas para outubro. As eliminatórias pressionaram Infantino por uma definição rápida acerca da continuidade ou não do plano da FIFA.

Espanha celebra a conquista da Copa do Mundo Feminia 2023 | GOTB Photography

Mundial de 2027 pode perder principais seleções da Copa

A eventual ausência das seleções europeias representaria um impacto significativo para a Copa do Mundo Feminina de 2027. Potências como Espanha, Inglaterra, Alemanha, França, Suécia e Países Baixos — protagonistas das últimas edições do torneio e candidatas recorrentes ao título — ficariam fora da competição caso o boicote seja mantido.

Além do prejuízo esportivo, a ausência da Europa também pode reduzir o valor comercial do Mundial. Sem algumas das principais seleções do futebol feminino, a competição tende a perder atratividade para emissoras, patrocinadores e para o público internacional, afetando contratos de transmissão, acordos comerciais e a expectativa de audiência da primeira Copa do Mundo Feminina realizada na América do Sul.

Entenda o caso

A FIFA  anunciou na noite de ontem, quarta-feira (29), que pretende criar a FIFA Forward Enterprise, uma subsidiária que permitirá vender cerca de 20% da companhia para investidores privados, a instituição espera arrecadar cerca de US$ 4,2 bilhões (R$ 21,5 bilhões) com a venda das ações. Para o projeto seguir adiante, o plano precisará ser aprovado de forma majoritária pelas 211 associações que fazem parte da entidade.

Em nota publicada em seu site oficial, a FIFA afirmou que a injeção do dinheiro privado pode ser decisiva para “alcançar todo o potencial dos direitos de transmissão e dos patrocínios da FIFA em todo o seu portfólio de competições de futebol masculino, feminino e de base”, possibilitando novos “Cabo Verdes”, afirmou Infantino.

Em nota publicada, a UEFA reiterou que “a Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento” e que a proposta de Infantino é “irresponsável e indefensável”. Confira a nota na íntegra:

“A UEFA e suas 55 associações-membro estão unidas. Rejeitamos, de forma unânime e inequívoca, a proposta da FIFA de transferir participações na propriedade da Copa do Mundo e de outras competições da FIFA para investidores privados.

A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. Ela é um dos maiores legados esportivos do futebol. Foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores de todos os continentes. Nenhuma parte dela deve jamais ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda.

É irresponsável e indefensável que uma proposta de tamanha importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à iminência de aprovação sem qualquer consulta significativa àqueles encarregados de zelar pelo esporte. Isso não é apenas uma falha profunda de liderança, mas uma abdicação do dever da FIFA como guardiã do futebol mundial.

Associações nacionais de todo o mundo deparam-se agora com um ultimato: aceitar a apropriação irreversível das maiores competições do futebol ou arcar com as consequências. Isso não é uma “decisão democrática”, mas uma governança baseada na intimidação — um ato de coerção indigno de uma instituição encarregada de zelar pelo esporte global.

No entanto, nossa oposição vai muito além da questão do processo” 

Foto: Reprodução / FIFA

Vitória Santos

Vitória Santos tem 22 anos, é acadêmica de Jornalismo, repórter e redatora aqui no Donas FC, cronista no BSF Mineiro e BSF Feminino. Também atua na cobertura In Loco nas redes sociais do Campeonato Brasileiro Série B e da Copa do Brasil.

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