Monique Ngock, Michaely Bihina, Temwa Chawinga e a seleção da Argélia foram reconhecidas após a competição que terminou com o título inédito de Camarões
A Copa Africana de Nações Feminina (WAFCON) 2026 terminou no domingo (16) com um título inédito para Camarões. As Leoas Indomáveis venceram o Malawi por 3 a 0, no Estádio Moulay El Hassan, em Rabat, e conquistaram pela primeira vez o principal troféu do futebol feminino africano.
Além da taça, a edição disputada no Marrocos terminou com quatro reconhecimentos individuais e coletivos. Monique Ngock foi escolhida como a melhor jogadora da competição (MVP), enquanto Michaely Bihina recebeu a Luva de Ouro, destinada à melhor goleira. Temwa Chawinga ficou com a Chuteira de Ouro, e a seleção da Argélia foi premiada pelo prêmio de Fair Play.
Monique Ngock, a melhor jogadora da WAFCON 2026
Aos 21 anos, Monique Ngock foi uma das principais peças do título de Camarões. Nascida em Mfou, no país, a meio-campista começou a carreira no Canon Yaoundé e passou pelo Éclair de Sa’a antes de se transferir para a França.
No futebol europeu, defendeu o Stade de Reims por três temporadas e depois atuou pelo FC Fleury 91. Em julho de 2026, pouco antes da WAFCON, foi contratada em julho pelo Washington Spirit, da NWSL, em um vínculo até 2028, com opção de extensão para 2029.
A relação de Ngock com a seleção camaronesa começou cedo. Ela estreou no time principal em 2022, aos 17 anos, e participou da campanha que levou Camarões às quartas de final daquela edição da competição. Também integrou as categorias de base e esteve no elenco camaronês que disputou a Copa do Mundo Sub-20 de 2024.
Na WAFCON 2026, Ngock começou cinco das seis partidas de Camarões e acumulou 480 minutos. Atuando como volante, teve papel importante na saída de bola, na disputa de duelos e no controle do ritmo das partidas. Ela ainda deu a assistência para o primeiro gol da seleção no torneio.

A campanha camaronesa ganhou força justamente nos jogos decisivos. A equipe venceu Gana por 1 a 0 e garantiu antecipadamente a classificação ao mata-mata. Depois, eliminou a atual campeã Nigéria por 1 a 0 nas quartas de final e superou o Marrocos nos pênaltis, após empate sem gols, na semifinal.
Ngock esteve no centro desse percurso. Contra o Marrocos, recebeu a braçadeira de capitã quando Colette Ndzana deixou o campo. A atuação da meio-campista ajudou Camarões a chegar à quarta final de sua história e, posteriormente, ao primeiro título continental.
O prêmio de Jogadora da Competição – adaptação de Woman of the Competition, denominação utilizada pela organização – reconheceu justamente a influência de Ngock no meio-campo durante a campanha que colocou Camarões no topo da África pela primeira vez.
Michaely Bihina, a segurança de Camarões no mata-mata
A goleira Michaely Bihina, de 22 anos, foi outra personagem central do título. Natural de Yaoundé, ela começou a carreira no Éclair de Sa’a e se mudou para Portugal em 2022 para defender o Racing Power.
Em janeiro de 2026, Bihina foi contratada pelo Benfica, com contrato válido até 2029. A goleira já havia sido eleita a melhor da posição na Liga BPI em 2023/24 e estreou pela seleção principal de Camarões em 2021, depois de passagens pelas equipes Sub-17 e Sub-20.
Na WAFCON, sua participação ganhou maior peso a partir das quartas de final. Contra a Nigéria, Bihina realizou nove defesas e terminou a vitória por 1 a 0 com o gol de Camarões protegido. O resultado eliminou a seleção que havia conquistado dez títulos continentais. Neste jogo, Bihina foi eleita a melhor jogadora em campo e ajudou na classificação de Camarões para a Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil.
Na semifinal, diante do Marrocos, a goleira voltou a ser decisiva. O confronto terminou em 0 a 0 após 120 minutos e foi para os pênaltis. Bihina defendeu três cobranças marroquinas e ajudou Camarões a vencer a disputa por 3 a 1.

Segundo o levantamento publicado pelo AfricaSoccer, ela fez 12 defesas entre as quartas de final e a semifinal sem sofrer gols e recebeu o prêmio de melhor jogadora da partida nos dois confrontos. Na decisão, ainda manteve a meta inviolada na vitória por 3 a 0 sobre o Malawi.
O desempenho nos momentos de maior pressão explicou a escolha da Luva de Ouro, tradução de Golden Glove. Bihina foi uma das responsáveis pela solidez defensiva que levou Camarões ao primeiro título de sua história.
Temwa Chawinga, artilheira e símbolo da campanha histórica do Malawi
Aos 27 anos, Temwa Chawinga chegou à WAFCON como uma das principais estrelas do futebol africano. A atacante defende o Kansas City Current, dos Estados Unidos, e vinha de duas temporadas como MVP da NWSL.
Antes de retornar à seleção para a competição, Chawinga já havia marcado 43 gols e dado 11 assistências em 58 partidas de temporada regular pelo clube norte-americano. Também conquistou a Chuteira de Ouro da NWSL em 2024 e 2025. Em junho, renovou seu contrato com o Kansas City Current até 2029.

Sua história com o Malawi começou na adolescência. A atacante estreou pela seleção aos 18 anos e marcou seu primeiro gol internacional contra a Zâmbia, em 2016. Em 2023, foi capitã da equipe na Copa COSAFA e terminou o torneio com nove gols, além dos prêmios de melhor jogadora e artilheira.
A WAFCON 2026 marcou a estreia do Malawi na competição. E a seleção transformou a primeira participação em uma campanha histórica, chegando à decisão e garantindo também a classificação inédita para a Copa do Mundo Feminina de 2027.
Chawinga teve papel central nessa trajetória. Ela marcou duas vezes na vitória por 3 a 2 sobre a Nigéria na estreia e voltou a balançar as redes contra Egito, Gana e Argélia. Ao todo, terminou com cinco gols e duas assistências, sete participações diretas em gols, o maior número entre as principais artilheiras do torneio.
A atacante terminou empatada em gols com Barbra Banda, da Zâmbia, e Marie Ngah Manga, de Camarões, que também chegaram a cinco. A diferença de Chawinga esteve nas assistências, que elevaram sua participação direta para sete gols.
Mesmo com a derrota por 3 a 0 para Camarões na final, a campanha colocou Chawinga e o Malawi em um novo patamar no futebol africano. As irmãs Temwa e Tabitha Chawinga terminaram a competição com nove gols somados e foram algumas das principais referências ofensivas da equipe.

A Chuteira de Ouro, portanto, coroou a produção ofensiva de Temwa em um torneio no qual o Malawi passou de estreante a finalista.
Argélia recebe o prêmio Fair Play
O último reconhecimento foi coletivo. A seleção da Argélia recebeu o Prêmio Fair Play, concedido pela CAF em reconhecimento à postura da equipe durante a competição.
A premiação considera aspectos como respeito às adversárias, comportamento diante da arbitragem, disciplina e espírito esportivo dentro e fora de campo. A Argélia combinou o reconhecimento com a melhor campanha de sua história na WAFCON.
A equipe chegou pela primeira vez à semifinal e terminou no pódio. No jogo pelo terceiro lugar, enfrentou o Marrocos em um clássico do Magrebe decidido nos pênaltis. Após empate por 1 a 1 no tempo regulamentar e na prorrogação, a Argélia venceu por 3 a 2 nas cobranças e conquistou a medalha de bronze.

A CAF destacou que a seleção manteve uma postura de respeito às adversárias e às autoridades da partida durante toda a campanha. O comportamento no confronto decisivo contra as anfitriãs também foi citado como exemplo de espírito esportivo, mesmo diante da pressão de uma disputa por medalha.
Os nomes que ficam da WAFCON 2026
Os prêmios individuais ajudam a resumir as diferentes histórias que marcaram a edição de 2026. Ngock representou o meio-campo da campeã Camarões; Bihina apareceu nos momentos decisivos do mata-mata; Chawinga liderou a produção ofensiva do Malawi em sua primeira participação; e a Argélia encerrou sua melhor campanha continental com o reconhecimento pelo Fair Play.
No fim, a WAFCON deixou Camarões como campeão pela primeira vez, o Malawi como vice-campeão e estreante histórica, e a Argélia com o bronze. A competição também definiu as principais referências individuais de um torneio que ampliou o espaço do futebol feminino africano no cenário internacional.
Foto: CAF / Reprodução




