Durante muito tempo tentaram nos convencer de que o futebol feminino “não vendia” ou que o interesse do público era apenas uma onda passageira. Os dados revelados no evento FF.Co – Comunidade do Futebol Feminino Brasileiro, promovido pela FSports na Mercado Livre Arena Pacaembu, mostram que esse discurso caiu por terra de vez.
O futebol feminino brasileiro não é uma promessa para o futuro; é um ativo estratégico, um produto consolidado e um ecossistema de engajamento que supera a modalidade masculina em taxa de crescimento.
Um estudo inédito conduzido pela FSports — agência responsável pelos direitos comerciais das competições femininas da CBF entre 2025 e 2029 — em parceria com o Google Trends, Horizm e Ibope Repucom, trouxe números incontestáveis. Enquanto as buscas globais por futebol feminino no YouTube cresceram 70% nos últimos cinco anos, o Brasil registrou um salto avassalador de 200%. No motor de busca do Google, o aumento no país foi de 130%, contra 20% no resto do planeta.
A força das nossas atletas e a liderança digital
O protagonismo brasileiro reflete diretamente o comportamento dos torcedores nas redes e nas ferramentas de pesquisa. Não por acaso, das dez jogadoras mais pesquisadas no Google Brasil durante a Copa do Mundo de 2023, metade vestia a nossa camisa: Marta liderou o ranking no país, seguida por Ary Borges (3º), Tamires (4º), Debinha (5º) e Bia Zaneratto (7º).
Fora dos campos, a @selecaofemininadefutebol detém o posto de seleção feminina mais seguida do mundo no Instagram, acumulando 3,17 milhões de torcedores fiéis. Apenas no primeiro semestre de 2026, as métricas da Amarelinha impressionam:
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Impressões: 1 milhão alcançadas, superando potências como a Inglaterra (600 mil).
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Alcance único: 780 mil usuários, contra 420 mil da Alemanha.
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Potencial Comercial: O valor de mídia gerado pelas postagens da seleção no período foi avaliado em quase R$ 9 milhões.
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Engajamento em alta: Crescimento de 68% no engajamento e 34% em impressões em relação ao ano anterior.
As competições nacionais acompanham esse movimento. O perfil oficial do @brfeminino teve um salto de 375% em impressões e 383% em engajamento no primeiro semestre de 2026 comparado a 2025. O Brasileirão Feminino já ocupa a 3ª posição global em crescimento de interesse no Google Trends (+300%), atrás apenas da Women’s Super League inglesa (+650%) e da UEFA Women’s Champions League (+350%). Até projetos recentes, como o perfil da Copa do Brasil Feminina, viram sua base de seguidores quase dobrar (+95%) em apenas sete meses.
Marcas, stakeholders e o retorno real do investimento
A presença em massa da comunidade, de gestores e de investidores no Pacaembu reforçou a tese que sempre defendemos aqui no Donas FC: apoiar o futebol feminino deixou de ser uma pauta assistencialista para se tornar uma das decisões de negócios mais inteligentes do mercado publicitário.
O impacto de associar a imagem das empresas a esse ecossistema transforma diretamente o comportamento do consumidor no ponto de venda:
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23% a mais de probabilidade do torcedor escolher a marca patrocinadora ao invés da concorrente.
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26% de aumento na intenção de compra de produtos das marcas atreladas aos torneios femininos.
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24% de ganho direto em afeição e percepção de marca.
A rota para 2027 já começou
Historicamente, o torcedor brasileiro usava o Google para tirar dúvidas básicas — desde “futebol feminino onde assistir” até “quanto ganha uma jogadora” ou “como ingressar em um time”. Contudo, o padrão de consumo mudou de patamar. Com o Brasil se preparando para sediar a Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027, a audiência quer entender a infraestrutura e fazer parte do espetáculo.
As dúvidas que dominam as buscas em 2026 deixam evidente que o país já respira o mundial. O público quer saber quais serão as cidades-sede, onde será a abertura, o preço dos ingressos, como trabalhar ou ser voluntário no evento e se a Marta estará em campo.
O recado do público e do mercado está dado. A pergunta para as marcas não é mais se o futebol feminino vai crescer, mas sim quem terá a visão estratégica de investir agora para colher os frutos dessa história.
Foto:Marcio Machado/Eurasia Sport Images/Getty Images




