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Camilla Orlando avalia eliminação do Brasil e destaca evolução no Mundial Sub-20

Camilla Orlando avalia eliminação do Brasil e destaca evolução no Mundial Sub-20

Treinadora analisou derrota para a Espanha, explicou mudanças feitas durante o jogo e apontou a experiência adquirida pela geração brasileira na competição

A Seleção Brasileira Feminina Sub-20 encerrou sua participação na Copa do Mundo da categoria com derrota por 1 a 0 para a Espanha, neste sábado (19), na Arena Sosnowiec, na Polônia. O gol de Pau Comendador, aos 27 minutos do primeiro tempo, definiu a eliminação brasileira nas quartas de final. Após a partida, a técnica Camilla Orlando avaliou as escolhas feitas durante o confronto e destacou a evolução da equipe ao longo do torneio.

Camilla avalia derrota para a Espanha

Na análise de Camilla, o confronto foi marcado pelo equilíbrio e pelos erros que poderiam definir a classificação. A treinadora afirmou que as alterações feitas durante a partida tiveram como objetivo aumentar a presença ofensiva do Brasil.

“Com as substituições tentamos ser um pouco mais agressivas, arriscar um pouco mais. Foi um jogo de erro e um erro que cometemos acabamos sofrendo o gol”, disse Camilla.

A comissão técnica mexeu ainda no primeiro tempo, com a entrada de Clarinha no lugar de Emilly. No intervalo, Dulce e Brendha substituíram Dudinha e Evelin. As mudanças deram ao Brasil uma formação mais ofensiva na segunda etapa, com Brendha, Vitorinha e Kaylane formando um trio de ataque.

O Brasil passou a encontrar mais espaços depois do intervalo e criou algumas oportunidades. Sofia Couto teve uma das principais chances de cabeça, após cruzamento de Nogueira, mas a bola passou por cima do gol. A Espanha também teve oportunidades em transições e conseguiu preservar a vantagem até o fim.

Camilla também considerou que o nível apresentado pelo Brasil diante da Espanha foi alto. “O jogo que fizemos hoje também foi de altíssimo nível”, afirmou a treinadora após a eliminação.

Treinadora destaca evolução durante o Mundial

A avaliação de Camilla não ficou restrita ao jogo das quartas de final. Para a treinadora, o grupo apresentou crescimento durante os cinco jogos disputados na Polônia, inclusive diante de adversários de alto nível.

Em entrevista à FIFA, Camilla afirmou que a principal marca da campanha foi o desenvolvimento apresentado pela equipe ao longo da competição. Segundo ela, as jogadoras foram “tacticamente disciplinadas, inteligentes, unidas e determinadas” e não desistiram diante das dificuldades.

A FIFA também apontou a capacidade brasileira de fazer ajustes durante as partidas. Oito dos dez gols marcados pelo Brasil no Mundial saíram no segundo tempo, em um cenário associado a correções, mudanças de jogadoras, leitura dos espaços e adaptações durante os confrontos.

A utilização do elenco foi outro aspecto da campanha. Camilla fez mudanças frequentes na escalação ao longo da competição e utilizou diferentes atletas em situações de jogo distintas. Para a FIFA, essa rotação ampliou a experiência de jogadoras que precisaram responder a partidas físicas, momentos de desvantagem, jogos eliminatórios e uma disputa de pênaltis.

A postura competitiva contra seleções de alto nível também apareceu na avaliação da treinadora. Antes do confronto com a Espanha, Camilla já havia definido o duelo como um “jogo de xadrez” e ressaltado a necessidade de o Brasil manter sua identidade diante de uma equipe acostumada a controlar a posse e os espaços.

Brasil termina Mundial com cinco jogos

O Brasil terminou a primeira fase na liderança do Grupo B e com 100% de aproveitamento. A equipe venceu a Tanzânia por 4 a 1, o Canadá por 3 a 0 e a Inglaterra por 2 a 1. Foram nove gols marcados e dois sofridos nos três jogos.

Nas oitavas de final, a Seleção enfrentou os Estados Unidos. Sofia Couto abriu o placar no segundo tempo, mas as norte-americanas empataram quatro minutos depois. O 1 a 1 permaneceu até o fim da prorrogação, e o Brasil avançou por 5 a 4 nos pênaltis. Thaís Lima defendeu a cobrança de Emeri Adames, enquanto Brendha, Gisele, Emilly Lucas, Aninha e Bianca converteram as batidas brasileiras.

Thaís Lima foi o destaque da partida das oitavas de final contra a seleção dos Estados Unidos | Luciana Vermell / CBF
Thaís Lima foi o destaque da partida das oitavas de final contra a seleção dos Estados Unidos | Luciana Vermell / CBF

A campanha terminou diante da Espanha. Pau Comendador marcou o único gol da partida e garantiu a classificação espanhola para a semifinal. Com a eliminação, o Brasil manteve como melhores resultados na história do Mundial Sub-20 os terceiros lugares conquistados em 2006 e 2022.

Geração Sub-20 mira próximos passos

A experiência acumulada na Polônia também foi relacionada por Camilla aos próximos passos das jogadoras. Em declaração à CazéTV reproduzida pela FIFA, a treinadora afirmou que a participação no Mundial acrescentou experiência ao grupo e avaliou que algumas atletas podem estar preparadas para chegar à Seleção principal, caso sejam escolhidas por Arthur Elias.

“Elas ganharam uma grande bagagem nessa competição e têm tudo para representar o Brasil, se assim for o desejo do Arthur Elias nesse momento. Elas estão prontas, eu tenho certeza disso. Elas são muito mais do que um jogo. Elas não podem esquecer disso, estão em um caminho excelente”, afirmou Camilla.

A possibilidade, porém, depende de futuras convocações. A participação no Mundial Sub-20 não significa que as atletas estarão automaticamente na equipe que disputará a Copa do Mundo Feminina de 2027.

A aproximação entre as categorias faz parte de um planejamento da CBF. Camilla trabalha em integração com a comissão de Arthur Elias e, em junho, participou de um período de treinamentos da Seleção principal em Itu. Na ocasião, a treinadora destacou a troca com a comissão e a intenção de levar para a base elementos do modelo de jogo trabalhado por Arthur.

Sob o comando de Camilla Orlando, o Brasil fez uma fase de grupos com 100% de aproveitamento na Copa do Mundo Sub-20 | Luciana Vermell / CBF
Sob o comando de Camilla Orlando, o Brasil fez uma fase de grupos com 100% de aproveitamento na Copa do Mundo Sub-20 | Luciana Vermell / CBF

A integração também já resultou em oportunidades para jogadoras das categorias de base. Em maio, por exemplo, Aninha foi convocada para a Sub-20, enquanto Serrana participou de um período de treinamento com a Seleção principal. A CBF vem tratando essa aproximação entre as categorias como parte do desenvolvimento das jogadoras para a equipe principal.

Depois da eliminação para a Espanha, Camilla reforçou que o resultado de um jogo não resume a trajetória construída na competição. “Elas precisam sair daqui sabendo que são muito mais que um jogo. Elas representaram o Brasil muito bem e tenho certeza de que elas estão em um caminho excelente”, declarou.

Foto: Luciana Vermell / CBF

Isadora Leocardio

Jornalista e repórter no DONAS FC. Acompanho e produzo conteúdos sobre futebol feminino com foco em análise, cobertura de jogos e histórias inspiradoras das atletas. Apaixonada pelo esporte, contribuo para o crescimento e a visibilidade do futebol feminino no Brasil e no mundo.

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