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Quem são as narradoras brasileiras da Copa do Mundo de 2026?

Narradoras na Copa do Mundo 2026

Conheça as histórias de Renata Silveira, Natália Lara e Isabelly Morais e os marcos que abriram espaço para a narração feminina no futebol

A Copa do Mundo de 2026 terá três mulheres entre as vozes brasileiras responsáveis por narrar os jogos do torneio. Renata Silveira, Natália Lara e Isabelly Morais integram a equipe escalada pelo Grupo Globo para a cobertura da competição, que será disputada entre junho e julho nos Estados Unidos, México e Canadá.

A presença do trio no principal evento do futebol mundial reflete uma mudança gradual no jornalismo esportivo brasileiro. Em um setor historicamente ocupado por homens, as narradoras conquistaram espaço nas transmissões de grandes competições nacionais e internacionais e chegam ao Mundial em um momento de ampliação da participação feminina em diferentes áreas da cobertura esportiva.

Com trajetórias distintas, Renata, Natália e Isabelly acumulam experiências em Copas do Mundo, Jogos Olímpicos, campeonatos nacionais e torneios continentais. Agora, farão parte da cobertura da maior edição da história do Mundial, que contará pela primeira vez com 48 seleções e 104 partidas.

A escalação das três profissionais também simboliza a consolidação de uma geração de narradoras que ajudou a transformar a presença feminina nas transmissões esportivas brasileiras. De pioneiras que enfrentaram resistência para ocupar os microfones a nomes estabelecidos nas principais emissoras do país, elas chegam à Copa de 2026 como protagonistas de uma mudança que ganhou força na última década.

Renata Silveira

Quando Renata Silveira narrou México e Polônia na Copa do Mundo do Catar, em 2022, seu nome entrou definitivamente para a história da televisão brasileira. Ela tornou-se a primeira mulher a narrar uma partida de Copa do Mundo masculina na TV aberta do país naquele mesmo ano, pela Globo, quebrando uma barreira que permaneceu intacta por mais de cinco décadas de transmissões do torneio na emissora.

O feito, porém, foi apenas mais um capítulo de uma trajetória marcada por pioneirismos. Em 2014, durante a Copa do Mundo realizada no Brasil, Renata tornou-se a primeira mulher a narrar partidas do torneio pela Rádio Globo. Quatro anos depois, na Rússia, em 2018, alcançou outro marco histórico ao se tornar a primeira brasileira a narrar uma final de Copa do Mundo masculina, na cobertura da Fox Sports.

Nos anos seguintes, consolidou-se como um dos principais nomes da rede Globo. Participou da cobertura da Copa do Mundo Feminina, dos Jogos Olímpicos e dos principais campeonatos do calendário nacional, tornando-se uma das vozes mais reconhecidas do jornalismo esportivo brasileiro.

A edição de 2026 terá um significado especial em sua carreira. Após o período de licença-maternidade, Renata retorna ao principal palco do futebol internacional como uma das narradoras escolhidas para trabalhar diretamente dos países-sede do Mundial. Com isso, torna-se também a primeira mulher brasileira a narrar uma Copa do Mundo masculina in loco para a televisão aberta.

Renata Silveira na Copa do Mundo 2026 | Reprodução / Redes sociais
Renata Silveira na Copa do Mundo 2026 | Reprodução / Redes sociais

Ao longo de quatro edições consecutivas do torneio, Renata acumulou uma série de marcos inéditos para mulheres na narração esportiva nacional. Sua trajetória acompanha a transformação da presença feminina nas transmissões esportivas e a consolida como uma das principais referências para as novas gerações de profissionais da área.

Natália Lara 

Sua chegada aos canais Globo ampliou a visibilidade de um trabalho que já era reconhecido entre profissionais da área. Formada em Rádio, TV e Internet, Natália Lara iniciou a trajetória na comunicação esportiva ainda durante a faculdade e construiu carreira em diferentes plataformas antes de alcançar projeção nacional.

Ao longo dos anos, acumulou uma série de marcos importantes para a presença feminina na narração esportiva brasileira. Foi a primeira mulher a narrar uma final do Campeonato Paulista e também a primeira narradora de rádio FM em São Paulo, abrindo espaço para outras profissionais.

A narradora ganhou destaque durante a expansão da cobertura do futebol feminino no Brasil. Narrou o heptacampeonato da Seleção Brasileira na Copa América Feminina e participou de transmissões do Campeonato Paulista Feminino e do Campeonato Brasileiro Feminino, acompanhando de perto o crescimento da modalidade no país.

Em 2019, tornou-se a primeira mulher a integrar a equipe de narradores do DAZN no Brasil. Pouco depois, passou pela ESPN, onde voltou a fazer história ao se tornar a primeira mulher a narrar jogos da NBA e da Premier League na televisão brasileira. Sua versatilidade também ficou evidente nos Jogos Olímpicos, quando narrou diversas modalidades além do futebol.

A consolidação nacional veio com a chegada ao Grupo Globo. Em 2022, durante a Copa do Mundo do Catar, Natália tornou-se a primeira mulher a narrar uma partida de Mundial masculino no SporTV, marco que a colocou entre os principais nomes da nova geração da narração esportiva brasileira. Ao todo, Natália já narrou mais de 30 modalidades esportivas ao longo da carreira.

Natalia Lara será uma das narradoras brasileiras da Copa do Mundo 2026 | Reprodução
Natalia Lara será uma das narradoras brasileiras da Copa do Mundo 2026 | Reprodução

A convocação para a Copa do Mundo de 2026 reforça sua trajetória de crescimento e consolida sua posição entre as principais vozes do jornalismo esportivo brasileiro.

Natália integra uma geração de profissionais que ajudou a naturalizar a presença feminina atrás dos microfones e ampliar a representatividade nas transmissões esportivas.

Isabelly Morais

Entre as três narradoras escaladas para o Mundial, Isabelly Morais representa a geração mais recente a alcançar projeção nacional. Natural de Itamarandiba, no interior de Minas Gerais, ela desenvolveu o interesse pelo futebol ainda na infância, acompanhando partidas ao lado do avô, um torcedor apaixonado que costumava reunir vizinhos e familiares para assistir aos jogos.

A relação com o esporte se aprofundou na adolescência, quando também praticou futebol e futsal e passou a defender maior espaço para as meninas nas atividades esportivas escolares. Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Isabelly decidiu seguir carreira no jornalismo esportivo ainda no ensino médio.

Sua entrada na narração ocorreu em 2017, durante estágio na Rádio Inconfidência. Convidada a experimentar a função, estreou narrando a partida entre América-MG e ABC pela Série B do Campeonato Brasileiro. A repercussão foi imediata: Isabelly tornou-se a primeira mulher a narrar uma partida de futebol em Minas Gerais, atraindo atenção da imprensa nacional e abrindo caminho para novas oportunidades na carreira.

Poucos meses depois, participou do concurso promovido pela Fox Sports para selecionar narradoras para a Copa do Mundo de 2018. Escolhida entre as finalistas, narrou nove partidas do torneio, incluindo o jogo de abertura entre Rússia e Arábia Saudita e a estreia da Seleção Brasileira contra a Suíça. Na época, a jornalista destacou que a experiência a obrigou a estudar profundamente seleções e atletas de diferentes países, ampliando seu repertório internacional e acelerando seu desenvolvimento profissional.

Narradora brasileira, Isablly Morais, ganha destaque ao lado de Renata Silveira e Natália Lara | Reprodução / Globo
Narradora brasileira, Isablly Morais, ganha destaque ao lado de Renata Silveira e Natália Lara | Reprodução / Globo

Desde então, Isabelly ampliou sua presença em campeonatos nacionais e internacionais, construindo espaço gradualmente em um mercado historicamente competitivo. Em entrevistas, a narradora costuma destacar a importância da representatividade feminina nas transmissões esportivas e a necessidade de ampliar as oportunidades para mulheres em diferentes áreas do futebol.

A participação na Copa do Mundo de 2026 representa um dos momentos mais importantes de sua carreira até aqui.

Ao lado de narradores experientes da emissora, Isabelly fará parte da equipe responsável por acompanhar todos os 104 jogos da competição, um desafio que exige preparação técnica, conhecimento de futebol internacional e capacidade de adaptação a diferentes contextos culturais.

Sua presença na escala da Copa também demonstra a aposta da Globo em ampliar a diversidade de vozes presentes nas transmissões esportivas.

Representatividade em evidência

A presença de Renata Silveira, Natália Lara e Isabelly Morais na Copa do Mundo de 2026 reforça uma transformação importante no jornalismo esportivo brasileiro. Se há alguns anos a narração feminina ainda era uma raridade, hoje as profissionais ocupam espaço de destaque em uma das maiores coberturas esportivas do planeta.

Com estilos diferentes, mas o mesmo objetivo de informar e emocionar o público, o trio ajudará a contar as histórias da Copa de 2026 e simboliza o avanço da participação feminina na cobertura do futebol mundial.

O significado da Copa de 2026

A presença de três narradoras brasileiras na cobertura do Mundial ocorre em um momento de expansão da participação feminina em diferentes áreas do futebol.

A própria Copa do Mundo contará com mulheres entre os árbitros selecionados pela FIFA, enquanto federações, clubes e emissoras ampliam gradualmente a presença feminina em cargos de liderança, análise e comunicação.

No caso da televisão brasileira, a escalação de Renata Silveira, Natália Lara e Isabelly Morais representa um retrato dessa transformação.

Mais do que vozes que narrarão gols, títulos e momentos históricos, as três profissionais simbolizam uma mudança estrutural no jornalismo esportivo nacional. Uma mudança que, embora ainda esteja em construção, já pode ser percebida nos principais palcos do futebol mundial.

Foto: Manoella Mello/Globo

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