O futebol que vemos hoje não é o mesmo de uma década atrás. O esporte mudou, se profissionalizou e, acima de tudo, se abriu. Atualmente, é comum encontrarmos mulheres ocupando espaços antes inimagináveis: são dirigentes, executivas, árbitras, treinadoras e gestoras que mostram, diariamente, a competência técnica que o mercado exige.
No entanto, em pleno Dia Internacional da Mulher, uma pergunta ainda ecoa nos bastidores da indústria: quem, de fato, está tomando as decisões que moldam o futuro do jogo?
O abismo entre o campo e a diretoria
Durante décadas, o ecossistema do futebol foi administrado sob uma perspectiva quase exclusivamente masculina. Embora os últimos anos tenham trazido avanços visíveis, os números mostram que o caminho para a equidade na liderança ainda é longo e íngreme.
Dados da Sport Integrity Global Alliance (SIGA) revelam que apenas cerca de 26% dos cargos executivos nas federações esportivas internacionais são ocupados por mulheres. Quando afunilamos a análise para o futebol, a desigualdade se torna ainda mais evidente em pontos vitais da estrutura:
Comitês Executivos: Um levantamento da FIFA aponta que apenas 12% dos membros de comitês executivos das federações nacionais são mulheres.
Comando Técnico: Na beira do gramado, onde a estratégia encontra a execução, o cenário também é desafiador: apenas 22% dos treinadores no futebol mundial são do sexo feminino.
Isso significa que, embora tenhamos conquistado o direito de jogar, ainda somos minoria nos conselhos, nas diretorias e nas mesas onde os orçamentos são aprovados e os calendários são definidos.
Enquanto a liderança ainda patina na representatividade, a base da pirâmide explode em crescimento. Segundo dados recentes da FIFA, o número de mulheres e meninas jogando futebol organizado ao redor do mundo atingiu a marca histórica de 16,6 milhões.
Esse crescimento não é apenas um dado estatístico; é um sinal claro de que o mercado consumidor e o interesse pelo futebol feminino são realidades financeiramente viáveis e socialmente imparáveis.
Por que a diversidade na liderança é urgente?
A presença feminina em cargos de decisão não é uma questão de “cota”, mas de estratégia e inovação. Mais mulheres na liderança significam:
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Diversidade de Visão: Novos olhares trazem soluções para problemas antigos.
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Inovação de Mercado: O futebol feminino possui particularidades que exigem modelos de negócio específicos, e não apenas uma cópia do modelo masculino.
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Desenvolvimento Sustentável: Ambientes diversos são comprovadamente mais criativos e propensos ao crescimento orgânico.
O crescimento do futebol não acontece apenas com gols marcados ou recordes de público. Ele se consolida através de decisões estratégicas.
Neste 8 de março, celebrar as vitórias das atletas é fundamental. Mas reconhecer e cobrar o que ainda precisa mudar nos cargos de poder é essencial para que a evolução seja completa.
O futebol evoluiu, é verdade. Mas para ser o esporte de todos, ele precisa aprender a compartilhar o comando.
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