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Como a Seleção Brasileira Feminina Sub-20 chega à Copa do Mundo Feminina Sub-20 2026 na Polônia

Como a Seleção Brasileira Feminina Sub-20 chega à Copa do Mundo Feminina Sub-20 2026 na Polônia

Após conquistar o 11º Sul-Americano da categoria, equipe de Camilla Orlando chega à Polônia com uma geração renovada, experiência internacional e a missão de buscar o primeiro título mundial

A Seleção Brasileira Feminina Sub-20 estreia neste sábado (5) na Copa do Mundo da categoria, diante da Tanzânia, às 10h (de Brasília), no Estádio de Bielsko-Biała, na Polônia. A competição será disputada até 27 de setembro e reunirá 24 seleções, em vez das 16 participantes das edições anteriores a 2024. O Brasil está no Grupo B, ao lado de Tanzânia, Canadá e Inglaterra.

O Mundial chega como o principal teste de uma geração que passou por um ciclo de preparação mais longo sob o comando de Camilla Orlando. A treinadora assumiu a equipe em 2025 e conduziu o Brasil ao título do Sul-Americano Sub-20 de 2026, além de uma série de amistosos contra adversários sul-americanos e europeus. O resultado foi a 11ª conquista brasileira no torneio continental, mantendo o país como único campeão da história da competição.

O desafio agora é diferente. O Brasil nunca ganhou o Mundial Sub-20. As melhores campanhas foram os terceiros lugares em 2006 e 2022. Na última edição, em 2024, a equipe chegou às quartas de final.

Como o Brasil chega

A atual geração foi construída de forma gradual. Camilla Orlando estreou no comando da Sub-20 em outubro de 2025, com duas vitórias sobre o México, por 3 a 0 e 1 a 0. Antes do Sul-Americano, a comissão ainda realizou um período de treinamentos em Guararema e amistosos contra Argentina e Paraguai. O Brasil empatou por 0 a 0 com as argentinas e goleou o Paraguai por 7 a 0 em novembro.

O trabalho teve continuidade no Sul-Americano, disputado no Paraguai em fevereiro. O Brasil terminou a primeira fase na segunda posição do Grupo B, com três vitórias e uma derrota — justamente para a Argentina. Na fase final, porém, a equipe não perdeu: venceu quatro dos cinco jogos, empatou com o Equador e goleou a Argentina por 4 a 0. Na decisão, derrotou a Venezuela por 2 a 0.

A campanha mostrou uma equipe capaz de variar as formas de construção ofensiva e que teve diferentes jogadoras participando diretamente dos gols. Na goleada por 7 a 0 sobre o Paraguai, por exemplo, sete atletas diferentes marcaram.

O último grande teste antes do Mundial aconteceu em junho, em Portugal. A Seleção enfrentou três adversários em uma sequência pensada para reproduzir a dinâmica da fase de grupos: perdeu para a Finlândia Sub-23 por 4 a 1, derrotou a Coreia do Sul por 3 a 0 e encerrou a série com vitória por 3 a 1 sobre Portugal.

A derrota para a Finlândia é um ponto de atenção, mas o contexto também importa: tratava-se de uma seleção Sub-23, portanto com atletas potencialmente mais experientes fisicamente. Nos dois jogos seguintes, o Brasil respondeu com vitórias diante de Coreia do Sul e Portugal.

A preparação ainda ganhou um componente de experiência internacional. Das 21 convocadas para o Mundial, três atuam fora do Brasil: Thaís Lima e Clarinha, no Benfica, e Giovana Canali, na Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos.

Outro aspecto relevante é a continuidade. 14 das 21 jogadoras convocadas para o Mundial participaram do Sul-Americano em fevereiro, o que preserva uma base do time campeão continental.

O que mudou desde 2024

A Seleção que vai à Polônia é bastante diferente daquela que disputou o Mundial da Colômbia. Em 2024, o Brasil era comandado por Rosana Augusto e tinha nomes como Priscila, Vendito, Milena, Gi Fernandes e Lara Dantas no elenco. A equipe também contou com jogadoras que já tinham experiência internacional em clubes, como Maiara, então no Sporting, além de atletas que atuavam no futebol universitário dos Estados Unidos.

Naquela edição, o Brasil teve um início dominante. Goleou Fiji por 9 a 0, derrotou a França por 3 a 0 e venceu o Canadá por 2 a 0. Terminou a primeira fase na liderança do Grupo B, com nove pontos, 14 gols marcados e nenhum sofrido.

Nas oitavas de final, porém, a equipe precisou da prorrogação para superar Camarões por 3 a 1. Priscila marcou de pênalti, enquanto Dudinha fez os dois gols do Brasil no tempo extra.

Seleção Brasileira Feminina Sub-20 no jogo contra Camarões na Copa do Mundo Feminina da categoria | Divulgação / CBF
Seleção Brasileira Feminina Sub-20 no jogo contra Camarões na Copa do Mundo Feminina da categoria | Divulgação / CBF

O caminho terminou nas quartas de final. A Coreia do Norte venceu por 1 a 0 e eliminou a Seleção, em uma partida na qual o Brasil teve dificuldade para criar diante da defesa asiática. As norte-coreanas acabariam conquistando o título, o terceiro da história do país na categoria.

A comparação com 2026 mostra uma mudança de comando e de geração. Camilla Orlando trabalha com um grupo formado em grande parte por atletas que passaram pelas seleções de base mais recentes, enquanto algumas jogadoras de 2024 tiveram ascensão para outros níveis do futebol.

Há, contudo, nomes que conectam as duas equipes. Dudinha e Gisele estiveram no Mundial de 2024 e permanecem no grupo de 2026. Gisele, inclusive, chega à segunda Copa do Mundo Sub-20 consecutiva após ter sido campeã do Sul-Americano de 2024 e novamente do torneio continental em 2026.

A própria Dudinha também aparece como uma peça de continuidade entre os ciclos. Em 2024, ela chegou à Colômbia depois do início da competição, diretamente de um jogo do São Paulo pelo Brasileirão. Na atual geração, está integrada ao processo desde a preparação para o Sul-Americano.

Dudinha na Seleção Brasileira Feminina Sub-20 | Rafael Ribeiro / CBF
Dudinha na Seleção Brasileira Feminina Sub-20 | Rafael Ribeiro / CBF

Outro ponto de diferença é a experiência adquirida por algumas atletas no futebol profissional. A goleira Thaís Lima, por exemplo, nasceu em Portugal, passou pelas categorias de base portuguesas e atua no Benfica. Ela chegou a ser convocada para a Seleção principal em 2025.

O atual elenco também apresenta atletas que ganharam espaço rapidamente em suas equipes profissionais. Kaylane, do Flamengo, tornou-se titular do clube e chega ao Mundial após conquistar títulos importantes nas categorias de base e o Sul-Americano Sub-20. Evelin Bonifácio, do Santos, foi revelação do Campeonato Paulista de 2025 e já havia sido utilizada pela Seleção principal em 2026.

As principais peças

A camisa 10 será de Vitorinha, uma das referências técnicas da equipe. A jogadora do São Paulo foi titular na conquista do Sul-Americano e chega ao Mundial com a responsabilidade de organizar parte das ações ofensivas.

No meio-campo, Clarinha é outro nome central. A atleta do Benfica participou da campanha do título continental e teve atuação decisiva na preparação para o Mundial: marcou duas vezes na vitória por 3 a 1 sobre Portugal. Sua passagem pelo futebol europeu acrescenta uma experiência diferente ao grupo.

Dudinha representa a continuidade entre as duas gerações. Depois de participar do Mundial de 2024, a meia-atacante voltou a ter papel importante no ciclo de 2026 e foi titular na campanha do Sul-Americano.

No ataque, Tainá chega como uma das opções de referência ofensiva. Ela marcou um dos gols da vitória sobre a Venezuela na decisão do Sul-Americano e participou da preparação desde 2025. Carioca, do Fluminense, também ganhou espaço ao longo do ciclo e marcou na vitória sobre a Coreia do Sul.

Outra jogadora que chama atenção é Evelin Bonifácio. Aos 18 anos, ela já tem experiência no futebol profissional pelo Santos, foi eleita revelação do Paulista de 2025 e marcou três gols no Sul-Americano Sub-20.

Na defesa, Bianca Martins oferece uma característica útil à comissão técnica: pode atuar como zagueira ou volante. A jogadora do Internacional já integrou o elenco profissional e esteve entre as titulares do Brasil na campanha do título continental.

A goleira Thaís Lima é outra peça diferente da maioria do elenco por sua formação fora do país. Além da experiência no Benfica, ela passou pelas categorias de base de Portugal antes de ser captada pela CBF e optar pelo Brasil.

Um elenco espalhado pelo futebol brasileiro

A lista final de Camilla Orlando mostra a distribuição da formação atual. São 21 atletas de nove clubes brasileiros, além das três jogadoras que atuam no exterior. São Paulo, Flamengo, Ferroviária, Corinthians, Internacional, Botafogo, Fluminense, Santos e Grêmio aparecem entre os clubes representados.

O perfil reforça uma característica do futebol feminino brasileiro atual: as jogadoras chegam às seleções de base a partir de diferentes estruturas, com clubes tradicionais, projetos de formação e experiências internacionais convivendo no mesmo elenco.

A Seleção Brasileira nunca perdeu o título Sul-americano Sub-20 desde a criação da competição | Staff Images / CBF
A Seleção Brasileira nunca perdeu o título Sul-americano Sub-20 desde a criação da competição | Staff Images / CBF

A evolução das competições nacionais de base também faz parte desse cenário. A própria Kaylane, por exemplo, chega à Polônia depois de disputar o Campeonato Brasileiro Sub-20 pelo Flamengo. O clube precisou negociar sua liberação para que ela pudesse se juntar à delegação brasileira.

Os adversários do Grupo B

O Brasil foi cabeça de chave no sorteio e estava no pote 1, ao lado de Polônia, Japão, Espanha, Coreia do Norte e França. A Inglaterra veio do pote 2, o Canadá do pote 3 e a Tanzânia do pote 4.

Tanzânia

A estreia será diante da Tanzânia, que faz sua primeira participação em uma Copa do Mundo Feminina Sub-20. O país tem experiência recente em competições internacionais de base, mas seu principal histórico mundial feminino está no Sub-17: a seleção participou do Mundial de 2022 e chegou às quartas de final.

A classificação para 2026 representa, portanto, um salto para uma equipe que ainda não havia disputado o principal torneio mundial da categoria Sub-20. Por isso, o jogo de estreia coloca o Brasil diante de um adversário menos conhecido e com menor histórico na competição.

Seleção Tanzaniana Feminina Sub-20 | Reprodução
Seleção Tanzaniana Feminina Sub-20 em 2025 | Reprodução

Canadá

O Canadá é o adversário de maior familiaridade para o Brasil. As equipes se enfrentaram no Mundial de 2024, quando a Seleção brasileira venceu por 2 a 0 e terminou a fase de grupos na liderança.

Brasil e Canadá na Copa do Mundo Feminina Sub-20 de 2024 | Reprodução / CBF
Brasil e Canadá na Copa do Mundo Feminina Sub-20 de 2024 | Reprodução / CBF

A atual geração canadense, porém, chega com credenciais diferentes. Em 2025, conquistou o Campeonato Feminino Sub-20 da Concacaf pela terceira vez, derrotando o México por 3 a 2 na prorrogação. O título veio depois de uma vitória por 1 a 0 sobre os Estados Unidos na semifinal.

A equipe tem tradição na categoria e disputará sua décima Copa do Mundo Sub-20. Sua melhor campanha ocorreu em 2002, quando foi vice-campeã em casa.

Na preparação para o Mundial, o Canadá também buscou adversários de alto nível. Em junho, enfrentou Inglaterra e Japão em uma série internacional na Espanha: perdeu por 1 a 0 para as inglesas e empatou em 2 a 2 com as japonesas.

Inglaterra

A Inglaterra fecha a fase de grupos e representa, pelo histórico recente, um dos testes mais exigentes para o Brasil. A seleção inglesa tem cinco participações no Mundial Sub-20 e sua melhor campanha foi o terceiro lugar em 2018. A equipe não disputou a edição de 2024.

A preparação para a Polônia incluiu uma sequência de jogos contra seleções de diferentes estilos. Segundo a federação inglesa, a equipe venceu Canadá, Colômbia e Portugal, empatou com os Estados Unidos e perdeu por margem mínima para o Japão.

O elenco inglês também apresenta uma estrutura de formação consolidada, com atletas vinculadas a clubes da Women’s Super League e experiências universitárias nos Estados Unidos. A equipe é comandada por Lydia Bedford.

Seleção Feminina da Inglaterra Sub-20 em amistoso contra Portugal neste ano | Reprodução / FPF
Seleção Feminina da Inglaterra Sub-20 em amistoso contra Portugal neste ano | Reprodução / FPF

O tamanho do desafio

O Brasil chega à Polônia com um título continental recente, uma base relativamente estável desde o Sul-Americano e um ciclo que incluiu adversários sul-americanos, europeus e asiáticos. Ao mesmo tempo, a equipe ainda tem pouca experiência coletiva em um torneio mundial com a atual comissão técnica.

O Mundial de 2026 terá uma diferença importante em relação a 2024: 24 seleções estarão na disputa, com os dois primeiros de cada grupo e os quatro melhores terceiros avançando às oitavas de final. Isso amplia as possibilidades de classificação, mas também aumenta a quantidade e a diversidade de adversários que o Brasil poderá encontrar no mata-mata.

A meta histórica permanece: conquistar pela primeira vez a Copa do Mundo Feminina Sub-20. Para isso, a equipe de Camilla Orlando terá de transformar o bom desempenho continental em rendimento contra escolas de futebol que oferecem desafios diferentes daqueles encontrados no Sul-Americano.

O primeiro passo será diante da Tanzânia. Depois, vêm Canadá e Inglaterra. Em um grupo no qual o Brasil parte como uma das equipes de maior tradição, a questão será confirmar em campo a evolução construída desde a eliminação para a Coreia do Norte em 2024.

Foto: Luciana Vermell / CBF

Isadora Leocardio

Jornalista e repórter no DONAS FC. Acompanho e produzo conteúdos sobre futebol feminino com foco em análise, cobertura de jogos e histórias inspiradoras das atletas. Apaixonada pelo esporte, contribuo para o crescimento e a visibilidade do futebol feminino no Brasil e no mundo.

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