Falamos muito sobre investimento e visibilidade no futebol feminino. Mas existe uma pergunta que vem antes dessas duas: quem está contando essa história, e a partir de qual lugar?
Investimento sozinho não sustenta um produto que ainda é narrado por uma visão limitada, rasa ou enviesada sobre a modalidade. Dinheiro entra, mas sem repertório, sem contexto e sem verdade na narrativa, ele não se transforma em valor duradouro.
Narrativa constrói valor. Cria identificação. Transforma atletas em ídolos. E, fundamentalmente, cria mercado.
Não basta colocar o futebol feminino na tela. É preciso saber qual história estamos contando quando ele aparece nela. Existe uma responsabilidade gigante nas mãos de quem comunica, vende, patrocina e toma decisões dentro do esporte.
Porque se quem precisa vender o futebol feminino não enxerga o seu valor real, como vai convencer alguém a investir, assistir ou consumir?
Mídia, Narrativa e Gestão de Produto
Foi esse o recorte que levei para o painel sobre construção de ídolos no Fórum Sustentabilidade em Campo, ao lado de nomes que respeito profundamente na gestão e no desenvolvimento do esporte. Discutimos mídia, narrativa e gestão de produto como pilares — e não acessórios — de um crescimento sustentável.
Depois de mais de duas décadas cobrindo essa modalidade, inclusive em anos em que ela era praticamente invisível na grande mídia, tenho uma certeza cada vez mais firme: o próximo salto do futebol feminino não vai depender só de quem paga a conta.
A evolução vai depender de quem escreve a história — e da coragem de escrevê-la corretamente.
O jogo já mudou dentro de campo. Agora precisa mudar também no olhar de quem conta o que acontece nele.
Foto:Brad Smith/ISI/Rex/Shutterstock




